ArtigoNotícias

O elenco de “O Grinch” 25 anos depois

O Grinch”, lançado em 2000, completa 25 anos como um dos filmes natalinos mais queridos de toda uma geração. Dirigida por Ron Howard (Éden), a adaptação do clássico de Dr. Seuss conquistou o público com seu visual exuberante, humor afiado e a atuação marcante de Jim Carrey no papel do rabugento morador do Monte Crumpit. Duas décadas e meia depois, o longa permanece como presença garantida na temporada de festas, renovando fãs a cada exibição.


Ao longo desses 25 anos, o elenco seguiu caminhos diversos: alguns consolidaram carreiras de prestígio na televisão e no cinema, outros migraram para a música ou se tornaram ícones cult, e há ainda aqueles cuja trajetória foi interrompida cedo demais. Neste especial, revisitamos cada um dos atores que deram vida aos moradores de Whoville e mostramos onde eles estão hoje, o que fizeram após o filme e como suas carreiras evoluíram desde o lançamento em 2000.

A seguir, veja como está o elenco de “O Grinch” 25 anos depois — começando, é claro, pelo próprio Jim Carrey.

Jim Carrey

O Grinch

Jim Carrey caracterizado como o Grinch ao lado do ator nos dias atuais, destacando a diferença 25 anos após o filme.

No filme: Jim Carrey, então com 38 anos, deu vida ao Grinch, personagem recluso e amargo que decide sabotar o Natal em Quemlândia. A interpretação exigiu um processo físico exaustivo: Carrey passava até duas horas diárias aplicando próteses e pelos de iaque, chegando a treinar com um oficial da CIA para suportar o desconforto do figurino. O resultado foi uma atuação marcante que se tornou marca registrada do clássico natalino.

Relacionado: A mente de Jim Carrey

Após o lançamento: O período coincidiu com uma fase madura de sua carreira. No início dos anos 2000, Carrey alternou entre grandes sucessos de bilheteria e papéis dramáticos de destaque. Protagonizou “Todo Poderoso” (2003), uma das comédias mais lucrativas da década, e surpreendeu a crítica com “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” (2004). Também estrelou “Desventuras em Série” (2004), “As Loucuras de Dick e Jane” (2005) e animações como “Horton e o Mundo dos Quem!” e “Os Fantasmas de Scrooge” (2009). Entre 2018 e 2020, retornou ao drama cômico na série “Kidding”, que lhe rendeu nova indicação ao Globo de Ouro.

Nos anos recentes: Em 2020 e 2022, Carrey alcançou uma nova geração de fãs ao interpretar o vilão Dr. Robotnik nas adaptações cinematográficas de Sonic the Hedgehog, papel que reprisou em Sonic 3: O Filme (2025), atualmente sua maior bilheteria. Paralelamente, dedica-se às artes plásticas e a projetos esporádicos no cinema. O ator também está escalado para Evergreen Pines and the Fading Summer (ainda sem tradução), novo filme de David Robert Mitchell (Corrente do Mal) que segue sem data de estreia definida.

Taylor Momsen

Cindy Lou Who

Taylor Momsen como Cindy Lou Who em O Grinch ao lado da artista nos dias atuais, mostrando sua transformação 25 anos após o filme.

No filme: Taylor Momsen tinha apenas 7 anos quando interpretou Cindy Lou Who, a menina doce que acredita no verdadeiro espírito do Natal. Sua participação marcou o público, e a atriz lembra o set como uma experiência mágica, elogiando Jim Carrey por sua postura protetora e carinhosa durante as gravações.


Relacionado: O que aconteceu com Taylor Momsen?

Após o lançamento: Após O Grinch, Momsen atuou em filmes como Pequenos Espiões 2 (2002) e Vira-Lata (2007). Em 2007, ganhou grande notoriedade ao interpretar Jenny Humphrey na série Gossip Girl, embora tenha revelado posteriormente que a rotina do programa era desgastante e conflituosa. Sua verdadeira paixão era a música, o que a levou a fundar a banda de rock The Pretty Reckless em 2009 e deixar a série em 2010 para seguir definitivamente a carreira musical.

Nos anos recentes: The Pretty Reckless consolidou-se como uma das bandas mais bem-sucedidas do rock moderno, tornando Momsen a primeira mulher a liderar quatro singles número 1 na parada Billboard Mainstream Rock. Após enfrentar perdas pessoais e momentos de depressão, a cantora lançou novos trabalhos, incluindo o EP Taylor Momsen’s Pretty Reckless Christmas em 2025, com nova versão de “Where Are You Christmas?”. No mesmo ano, reencontrou Jim Carrey no Rock & Roll Hall of Fame

Jeffrey Tambor

Prefeito Augustus Maywho

Jeffrey Tambor caracterizado como o Prefeito Augustus Maywho em O Grinch ao lado do ator nos dias atuais, mostrando sua transformação após 25 anos.

No filme: Jeffrey Tambor tinha 56 anos quando interpretou o vaidoso e autoritário Prefeito Augustus Maywho em O Grinch. Já consolidado como ator de comédia, Tambor trouxe ao papel um humor pomposo que contrastava com a figura excêntrica do Grinch. À época, o ator vivia uma fase estável, mas ainda distante de seu auge profissional, que chegaria poucos anos depois.

Após o lançamento: Em 2003, Tambor alcançou grande notoriedade ao interpretar George Bluth Sr. — e ocasionalmente seu irmão gêmeo Oscar — na série cult Arrested Development. O papel lhe rendeu diversas indicações ao Emmy e renovou sua presença na televisão. Paralelamente, participou de projetos variados, incluindo séries como “A Melhor Idade” e “Welcome to the Captain”, além de papéis marcantes no cinema, como Sid Garner na trilogia Se Beber, Não Case e o Rei Netuno em Bob Esponja: O Filme (2004). Ele também expandiu sua carreira em animação, dublando produções como Monstros vs. Alienígenas (2009) e Enrolados (2010).

Nos anos recentes: O ponto mais alto de sua carreira ocorreu com Transparent (2014), série da Amazon em que interpretou Maura Pfefferman, uma mulher transgênero. A performance foi amplamente elogiada e rendeu ao ator dois Emmys consecutivos, além de um Globo de Ouro e um SAG Award. No entanto, a trajetória sofreu um duro golpe em 2017, quando Tambor foi acusado de má conduta sexual nos bastidores da série. Após investigação, foi demitido em 2018, o que afetou profundamente sua reputação e oportunidades profissionais. Seu último trabalho foi no filme Magic Camp (2020). Em 2025, aos 81 anos, Tambor permanece afastado dos holofotes, com sua carreira marcada tanto por grandes feitos quanto por controvérsias.

Molly Shannon

Betty Lou Who

Molly Shannon como Betty Lou Who em O Grinch ao lado da atriz nos dias atuais, mostrando sua evolução 25 anos depois do filme.

No filme: Molly Shannon tinha 36 anos quando interpretou Betty Lou Who, a dedicada mãe de Cindy Lou. Na época, vivia um de seus momentos mais populares na televisão como integrante do Saturday Night Live (1995–2001), onde criou personagens icônicos como Mary Katherine Gallagher e Sally O’Malley. Sua energia cômica ajudou a construir a atmosfera calorosa e excêntrica da cidade de Whoville.

Após o lançamento: Ao deixar o SNL, Shannon consolidou sua presença no cinema com uma série de comédias, incluindo “Mais um Verão Americanor” (2001), Confissões de uma “Adolescente em Crise” (2004), “Tal Pai, Tal Filho” (2006) e “Todo Poderoso 2” (2007). Em 2008, protagonizou a sitcom Kath & Kim, cancelada após uma temporada, e, nos anos seguintes, reinventou-se como atriz versátil, transitando entre humor e drama. Sua atuação em Other People (2016) lhe rendeu o Independent Spirit Award de Melhor Atriz Coadjuvante, consolidando sua reputação como intérprete de sensibilidade refinada.

Nos anos recentes: Molly Shannon tornou-se presença recorrente em produções de prestígio na TV, com indicações ao Emmy por Enlightened (2013) e Will & Grace (2018). Destacou-se em séries como Divorce (2016–2019), The Other Two (2019–2022) e The White Lotus (2021). No universo da animação, dublou Wanda Werewolf na franquia Hotel Transilvânia (2012–2022). Em 2022, estrelou I Love That for You e, em 2024, participou de Only Murders in the Building. Aos 60 anos, Shannon permanece uma das atrizes mais requisitadas de Hollywood, equilibrando projetos cômicos, dramáticos e de dublagem com sua vida familiar ao lado do marido, Fritz Chesnut, e seus dois filhos.

Bill Irwin

Lou Lou Who

Bill Irwin como Lou Lou Who em O Grinch ao lado do ator nos dias atuais, mostrando sua transformação após 25 anos.

No filme: Bill Irwin tinha 50 anos quando interpretou Lou Lou Who, o carismático pai de Cindy Lou e carteiro de Whoville. Seu personagem representa o coração emocional da história, sendo a voz que relembra os moradores de Whoville sobre o verdadeiro significado do Natal após o roubo do Grinch. Com sólida formação em teatro físico, Irwin aplicou ao papel sua experiência como palhaço profissional e performer de vaudeville, tendo estudado na Juilliard School e no Ringling Brothers and Barnum & Bailey Clown College.

Após o lançamento: Após o sucesso do filme, Irwin consolidou-se ainda mais no teatro, vencendo o Tony Award de Melhor Ator em 2005 por Who’s Afraid of Virginia Woolf? ao lado de Kathleen Turner. No cinema, participou de produções como O Candidato da Verdade (2004) e ganhou destaque internacional como o manipulador e dublador do robô TARS em Interestelar (2014), de Christopher Nolan, combinando performance física e voz de forma inovadora.

Nos anos recentes: Na televisão, tornou-se presença constante e versátil. Encantou crianças como Mr. Noodle no segmento Elmo’s World em Vila Sésamo e viveu o Dr. Peter Lindstrom em Law & Order: SVU por mais de uma década. Entre 2017 e 2019, destacou-se em Legion, da FX, interpretando Cary Loudermilk. Também integrou o elenco de Star Trek: Discovery (2020) e A Idade Dourada (2022). No cinema recente, participou do drama biográfico Rustin (2023). Em 2026, Irwin voltará a colaborar com Christopher Nolan ao estrelar A Odisseia, com estreia marcada para 16 de julho de 2026 nos cinemas. Aos 75 anos em 2025, segue ativo e respeitado em todas as frentes da performance.

Christine Baranski

Martha May Whovier

Christine Baranski como Martha May Whovier em O Grinch ao lado da atriz nos dias atuais, mostrando sua transformação após 25 anos.

No filme: Christine Baranski tinha 48 anos quando interpretou Martha May Whovier, a sofisticada socialite de Whoville e antigo interesse amoroso do Grinch. Sua performance trouxe charme, humor e elegância a um papel que poderia facilmente se apoiar no estereótipo da “mulher perfeita”, oferecendo dimensão emocional ao universo fantástico do filme. Formada pela Juilliard School e vencedora de dois Tony Awards, Baranski já era uma atriz consagrada quando entrou para o elenco.

Após o lançamento: Nos anos seguintes, Baranski expandiu sua carreira no cinema, destacando-se como a jornalista Mary Sunshine no musical vencedor do Oscar, Chicago (2002), e como Tanya em Mamma Mia! (2008), papel que reprisou na sequência de 2018. Em Caminhos da Florestas (2014), interpretou a madrasta da Cinderela, reforçando sua reputação como uma das melhores atrizes musicais de sua geração. Sua versatilidade transitou sem esforço entre drama, comédia e musicais.

Christine Baranski se consolidou como uma das grandes damas da dramaturgia americana, interpretando Diane Lockhart em The Good Wife (2009-2016) e estrelando o spin-off The Good Fight (2017-2022), acumulando seis indicações ao Emmy. Também participou de The Big Bang Theory como a Dra. Beverly Hofstadter, recebendo quatro indicações adicionais. Em 2022, começou a atuar em The Gilded Age da HBO como a aristocrata Agnes van Rhijn e, em 2025, integrou o elenco da segunda temporada de Nove Desconhecidos. Aos 73 anos, Baranski se mantém relevante com 15 indicações ao Emmy e é uma figura essencial da televisão contemporânea.

Nos anos recentes: A televisão consolidou Christine Baranski como uma das grandes damas da dramaturgia americana. De 2009 a 2016, interpretou Diane Lockhart em “The Good Wife: Pelo Direito de Recomeçar“, conquistando seis indicações ao Emmy. O sucesso da personagem gerou o spin-off The Good Fight (2017–2022), no qual Baranski estrelou por seis temporadas. Simultaneamente, marcou presença em The Big Bang Theory como a gelidamente intelectual Dra. Beverly Hofstadter, papel que lhe rendeu quatro indicações adicionais ao Emmy.

Em 2022, iniciou uma nova fase com The Gilded Age, da HBO, interpretando a aristocrata Agnes van Rhijn, papel altamente elogiado. Em 2025, juntou-se ao elenco da segunda temporada de “Nove Desconhecidos.” Aos 73 anos, permanece no auge, com 15 indicações ao Emmy e status de figura essencial da televisão contemporânea.

Clint Howard

Whobris

Clint Howard caracterizado como Whobris em O Grinch ao lado do ator nos dias atuais, mostrando sua transformação após 25 anos.

No filme: Clint Howard tinha 41 anos quando interpretou Whobris, o dedicado — e muitas vezes bajulador — assistente do Prefeito Augustus Maywho. Irmão mais novo do diretor Ron Howard, Clint é conhecido como o “amuleto da sorte” da família por participar de praticamente todos os filmes do irmão. Sua longa experiência em papéis excêntricos e cômicos ajudou a tornar Whobris um dos coadjuvantes mais memoráveis de Whoville.

Após o lançamento: Com uma carreira iniciada aos dois anos em The Andy Griffith Show, Howard já era um veterano absoluto quando fez O Grinch. Depois do filme, voltou a colaborar com Ron Howard em produções como A Luta pela Esperança (2005), Frost/Nixon (2008) e O Dilema (2011). Em 2018, interpretou Ralakili em Han Solo: Uma História Star Wars, reforçando sua presença em grandes franquias. Paralelamente, consolidou sua fama no cinema de terror e ficção científica, participando da trilogia Austin Powers, da reimaginação de Halloween (2007) e de diversos projetos de Rob Zombie.

Nos anos recentes: É um dos raros atores a aparecer em cinco gerações diferentes de Star Trek, de The Original Series ao moderno Strange New Worlds. Em 2021, lançou ao lado do irmão Ron o livro de memórias The Boys: A Memoir of Hollywood and Family. Em 2024, sua participação como Tom Starr na novela The Bold and the Beautiful lhe rendeu indicação ao Daytime Emmy. No mesmo ano, apareceu em Terrifier 3, reafirmando sua ligação duradoura com o terror independente. Aos 65 anos, Howard continua ativo, querido e presente em dezenas de produções, mantendo sua posição como uma das figuras mais consistentes e simpáticas do cinema americano.

Josh Ryan Evans

Grinch aos 8 anos

Josh Ryan Evans como o jovem Grinch em O Grinch ao lado de uma foto do ator nos anos 2000, mostrando sua aparência fora do personagem.

No filme: Josh Ryan Evans tinha 18 anos quando interpretou o Grinch aos 8 anos nas cenas de flashback que explicam a origem do personagem. Devido à acondroplasia — uma forma de nanismo — ele possuía aparência e voz infantis, o que o tornou perfeito para o papel. Impressionado com seu talento, o diretor Ron Howard ampliou significativamente sua participação no filme. Sua atuação sensível, especialmente nas cenas em que o jovem Grinch sofre humilhações na escola, forneceu a base emocional que explica a transformação do personagem.

Após o lançamento: Evans já era um ator experiente apesar da pouca idade. Iniciara sua carreira aos 12 anos, conseguindo papéis em séries como Family Matters, Ally McBeal (como o advogado mirim Oren Koolie), 7th Heaven e em dublagens para Hey Arnold! e Rugrats. No cinema, destacou-se em Baby Geniuses (1999), no qual interpretou todos os bebês e executou todas as coreografias. Em Passions (1999–2002), interpretou Timmy Lenox, um boneco mágico que conquistou o público e se tornou um dos personagens mais queridos da novela da NBC.

Nos anos recentes (legado): Josh Ryan Evans faleceu em 5 de agosto de 2002, aos 20 anos, durante um procedimento médico para tratar sua condição cardíaca congênita. De maneira trágica, sua morte coincidiu com a exibição do episódio de Passions em que seu personagem também morria. O Grinch foi seu penúltimo trabalho no cinema. Mesmo com uma vida curta, Evans deixou uma forte impressão no público e na indústria, sendo lembrado por seu talento raro, profissionalismo e determinação diante de desafios médicos significativos. Vinte e três anos após sua morte, seu legado permanece vivo entre fãs de O Grinch e da novela Passions.

Vinte e cinco anos depois, “O Grinch” continua sendo exibido anualmente na temporada de festas, conquistando novas gerações. O filme ganhou o Oscar de Melhor Maquiagem e Cabelo em 2001, reconhecimento ao trabalho extraordinário que transformou Jim Carrey no personagem verde e criou o visual fantástico de Whoville.

Como o próprio filme ensinou, às vezes o Natal não vem de uma loja – e às vezes, os filmes que marcam nossa infância continuam reverberando décadas depois, conectando gerações através da magia do cinema.

Felipe Bastos

Felipe Bastos da Silva é um jornalista e crítico de cinema brasileiro, fundador e editor do site Cinema e Afins. Desde a sua criação em 2007, o site se tornou uma referência na cobertura de cinema, séries, games e cultura pop, com uma abordagem aprofundada e jornalística. Ao longo dos anos, o site ganhou um público fiel e se firmou como uma fonte confiável para quem busca análises detalhadas e imparciais sobre as novidades do cinema e da cultura pop.
Botão Voltar ao topo