
A temporada de premiações de 2026 começou oficialmente nesta segunda-feira (8) com o anúncio dos indicados ao Globo de Ouro. Entre as categorias mais aguardadas está a de Melhor Canção Original, que reúne seis faixas de filmes que marcaram o ano cinematográfico. A 83ª edição da cerimônia acontecerá em 11 de janeiro de 2026, no Beverly Hilton, em Los Angeles, com apresentação da comediante Nikki Glaser.
A disputa pela estatueta dourada traz nomes consagrados da música mundial, de Miley Cyrus a Nick Cave, passando por compositores premiados e artistas revelação. As canções indicadas não apenas enriquecem as narrativas dos filmes, mas também refletem temas universais como amor, identidade, memória e redenção.
Confira abaixo as seis músicas que concorrem ao prêmio e o contexto de cada uma delas:
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“Dream As One” – Avatar: Fogo e Cinzas

Interpretação: Miley Cyrus
Coescrita com os veteranos Mark Ronson e Andrew Wyatt, “Dream As One” nasce de uma conexão artística e emocional que Miley Cyrus reconhece como profundamente pessoal. Em 2018, a cantora perdeu sua casa em Malibu durante o incêndio Woolsey Fire, e a experiência de reconstrução após o trauma acabou ressoando com os temas centrais de Avatar: Fogo e Cinzas, que aborda destruição, renascimento e união.
A música transmite esse sentimento de resistência e esperança, refletido em versos como: “Even through the flames / Even through the ashes in the sky / When we dream, we dream as one.” A letra dialoga diretamente com o espírito do filme, que enfatiza a força coletiva diante da adversidade.
O processo criativo envolveu múltiplas versões até que a equipe — que também contou com contribuições do compositor da franquia, Simon Franglen — encontrasse o tom ideal. Entre idas e vindas, retornaram à primeira ideia desenvolvida, que acabou se mostrando a mais fiel à proposta emocional da artista e à atmosfera épica do longa.
O resultado é uma composição que equilibra grandiosidade cinematográfica e intimismo emocional, funcionando tanto como peça narrativa dentro do filme quanto como um reflexo das vivências pessoais de Cyrus.
“Golden” – Guerreiras do K-Pop

Interpretação: HUNTR/X (vozes de EJAE, Audrey Nuna e Rei Ami)
A animação musical da Netflix “Guerreiras do K-Pop” tornou-se um dos principais destaques da temporada ao conquistar três indicações ao Globo de Ouro, entre elas Melhor Animação e Melhor Canção Original por “Golden”. O reconhecimento também marca um momento importante: EJAE (Kim Eun-jae), que assina a composição e participa dos vocais, tornou-se a primeira coreano-americana indicada na categoria de canção.
O longa acompanha a trajetória de um grupo fictício de idols K-pop em meio aos desafios da indústria e competições de alto nível. Nesse contexto, “Golden”, interpretada pelo grupo HUNTR/X, sintetiza o espírito aspiracional do filme ao combinar pop eletrônico com elementos característicos do gênero sul-coreano, resultando em uma faixa vibrante e repleta de energia.
Além da boa recepção crítica, “Golden” também ganhou destaque no cenário musical internacional, acumulando indicações importantes — incluindo nomeações ao Grammy, entre elas a de Canção do Ano, uma das mais prestigiadas da premiação. A trilha sonora do filme rapidamente conquistou espaço nas plataformas e, em diferentes períodos após o lançamento, faixas como “Golden”, “Your Idol” e “Soda Pop” chegaram a figurar em paradas populares, reforçando o impacto cultural da produção.
“I Lied to You” – Pecadores

Interpretação: Miles Caton
A trilha de Pecadores (Sinners), novo filme de vampiros dirigido por Ryan Coogler, traz uma das composições mais comentadas do ano: “I Lied to You”, uma balada que mistura blues e gospel e ocupa um papel central na carga emocional da narrativa. A faixa é interpretada por Miles Caton, que vive Sammie “Preacher Boy” Moore.
A música surgiu de uma colaboração direta entre Raphael Saadiq, referência do R&B contemporâneo, e Ludwig Göransson, compositor vencedor do Oscar. Saadiq conta que o conceito inicial da letra o acompanha desde a juventude — a frase “eles dizem que a verdade dói, então menti para você” nasceu de uma lembrança pessoal e ganhou novos significados ao ser adaptada para as tensões familiares exploradas no longa.
No filme, “I Lied to You” embala uma das sequências mais visuais e sonoramente marcantes: uma performance estilizada que percorre diferentes fases da música negra, conectando blues, rock, hip-hop e ritmos ancestrais africanos. A cena funciona como um eixo temático da obra, reforçando a relação entre identidade, legado e transformação.
A canção tem recebido ampla atenção da crítica e já rendeu indicações em premiações de música e trilha sonora, como o Grammy e o World Soundtrack Awards, consolidando sua relevância dentro da temporada cinematográfica.
“Train Dreams” – Sonhos de Trem

Interpretação: Nick Cave
O músico australiano Nick Cave uniu forças com Bryce Dessner, integrante do The National, para compor a canção-título de Train Dreams (Sonhos de Trem), produção da Netflix inspirada na novela de Denis Johnson. A parceria surgiu de forma natural: Cave já era admirador da obra original e afirmou ter se sentido especialmente motivado após assistir ao corte preliminar do filme.
A música, presente nos créditos finais, destaca os vocais marcantes de Cave acompanhados pelo piano de Dessner, estabelecendo uma atmosfera introspectiva que dialoga com o tom sensível da narrativa. O longa acompanha a trajetória de um operário ferroviário no início do século XX, abordando temas como amor, perda, memória e o avanço implacável do tempo.
O diretor Clint Bentley (Sing Sing) relatou que ouvir Cave recitar os versos por telefone foi um momento particularmente significativo durante o desenvolvimento artístico do projeto. A composição carrega a profundidade literária característica do trabalho do artista, refletida em versos que traduzem emoções complexas — como no trecho: “I can’t begin to tell you how it makes me feel.”
Além da canção original, Bryce Dessner assinou a trilha completa do filme, gravada com instrumentos analógicos em um estúdio no Oregon, reforçando o caráter orgânico e atemporal da produção.
“No Place Like Home” – Wicked: Parte II

Interpretação: Cynthia Erivo
Criada especialmente para Wicked: Parte II, “No Place Like Home” é uma das duas canções inéditas escritas por Stephen Schwartz para a adaptação cinematográfica. Diferentemente do musical da Broadway, a faixa foi composta exclusivamente para os eventos do segundo filme e funciona como um momento de introspecção para Elphaba, vivida por Cynthia Erivo.
O título faz referência à célebre frase de Dorothy em O Mágico de Oz, mas assume aqui um significado mais complexo. Na canção, Elphaba — agora isolada e conhecida publicamente como a Bruxa Má do Oeste — reflete sobre o conceito de “lar” enquanto enfrenta rejeição, medo e perseguição. O solo aprofunda temas de identidade, pertencimento e a dificuldade de encontrar acolhimento em um mundo que a enxerga como ameaça.
A inclusão de novas músicas na segunda parte da adaptação foi uma escolha criativa do diretor Jon M. Chu, que buscava ampliar a densidade emocional do arco das protagonistas. “No Place Like Home” oferece a Erivo a oportunidade de explorar vocal e dramaticamente a evolução da personagem, acompanhando sua jornada rumo ao desfecho da história.
“The Girl in the Bubble” – Wicked: Parte II

Interpretação: Ariana Grande
A segunda canção inédita de Wicked: Parte II foi escrita para Glinda, interpretada por Ariana Grande. “The Girl in the Bubble” (“A Garota na Bolha”) funciona como um dos números mais significativos da trajetória da personagem no segundo filme, marcando um ponto de virada em sua evolução emocional.
Na música, a “bolha” simboliza a zona de conforto idealizada em que Glinda vive — um espaço que lhe oferece segurança, mas também a distancia das nuances e responsabilidades do mundo real. A canção explora o conflito interno da bruxa boa entre preservar essa aparência de perfeição e confrontar questões profundas sobre identidade, propósito e escolhas passadas.
Stephen Schwartz, responsável pela trilha original do musical da Broadway, compôs a faixa para expandir a complexidade dramática de Glinda na adaptação cinematográfica. A sequência oferece a Ariana Grande a oportunidade de trabalhar camadas mais introspectivas da personagem, articulando vulnerabilidade e determinação em uma performance que acompanha seu amadurecimento ao longo da narrativa.
Historicamente, o Globo de Ouro tem sido um importante indicador para o Oscar, especialmente nas categorias musicais, embora as duas premiações nem sempre concordem. As produções que disputam Melhor Canção Original no Globo de Ouro 2026 também serão inscritas para concorrer na temporada de prêmios, e uma vitória pode oferecer impulso significativo na corrida pela estatueta dourada da Academia.
O anúncio do vencedor acontecerá na noite de 11 de janeiro de 2026, durante a cerimônia transmitida ao vivo pela CBS nos Estados Unidos e pela TNT e HBO Max no Brasil.