Seis compositores disputam uma das estatuetas mais cobiçadas da noite de 11 de janeiro de 2026. A categoria de Melhor Trilha Sonora Original do Globo de Ouro 2026 reúne desde veteranos premiados até artistas que transitam entre a música experimental e o cinema, comprovando que a sétima arte continua sendo terreno fértil para inovações sonoras.
Das orquestrações góticas aos batimentos eletrônicos, passando por fusões de blues e techno, as indicações anunciadas ontem (8 de dezembro) revelam a diversidade musical que embalou as produções cinematográficas de 2025. A cerimônia no Beverly Hilton Hotel, em Los Angeles, terá Nikki Glaser como apresentadora.
A disputa pela estatueta dourada traz nomes consagrados da música mundial, de Alexandre Desplat a Hans Zimmer, passando por compositores premiados e artistas inovadores. As trilhas indicadas não apenas enriquecem as narrativas dos filmes, mas também refletem temas universais como vida, morte, identidade e redenção. Confira abaixo as seis trilhas sonoras que concorrem ao prêmio de Melhor Trilha Sonora Original.
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Alexandre Desplat – “Frankenstein”

O compositor francês Alexandre Desplat, vencedor de dois Oscars, assina a trilha sonora de “Frankenstein”, dirigido por Guillermo del Toro, disponível na Netflix desde novembro de 2025. Esta é a terceira colaboração entre Desplat e Del Toro, após “A Forma da Água” (2017) e “Pinóquio” (2022).
A trilha é caracterizada por orquestrações grandiosas e partes expressivas de violino executadas pela violinista norueguesa Eldbjørg Hemsing, enfatizando tanto a atmosfera gótica do filme quanto seu drama emocional. Com 37 faixas e quase duas horas de duração, a composição de Desplat combina elementos de ansiedade, tragédia e, ocasionalmente, uma leveza semelhante a uma valsa.
O tema principal, “Fire“, introduz o motivo assustadoramente belo de sete notas para o verdadeiro antagonista, Victor Frankenstein, acompanhado por vozes corais femininas fantasmagóricas e uma pulsação eletrônica baixa. A trilha também apresenta um motivo de quatro notas que representa a criatura, tocado ternamente em cordas dedilhadas com piano solo como contraponto.
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Ludwig Göransson – “Pecadores”
Ludwig Göransson, vencedor do Oscar por seu trabalho em “Oppenheimer“, é o responsável pela trilha sonora de “Pecadores” (Sinners), filme de terror dirigido por Ryan Coogler. Esta é mais uma colaboração da dupla Göransson e Coogler, que trabalham juntos desde a faculdade, tendo desenvolvido projetos como “Fruitvale Station”, “Creed” e “Pantera Negra”.
A trilha de “Pecadores” é o coração do filme, misturando terror, drama psicológico e elementos culturais afro-americanos. Ambientado no Mississippi dos anos 1930, o compositor funde influências do blues e vozes para dar profundidade à narrativa.
Conhecido por sua versatilidade, Göransson viaja por diversos gêneros musicais, como jazz sinfônico, rock, disco, R&B, soul e hip hop. A canção “I Lied to You“, interpretada por Miles Caton, tornou-se um dos pontos altos da trilha, misturando blues e gospel e ocupando um papel central na carga emocional da narrativa.
A trilha também traz canções como “This Little Light of Mine” e “Pick Poor Robin Clean”, com coral de jovens e vozes tradicionais, criando uma experiência visceral e simbólica.
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Jonny Greenwood – “Uma Batalha Após a Outra”

Jonny Greenwood, integrante do Radiohead e do The Smile, compôs a trilha sonora de “Uma Batalha Após a Outra“, novo filme de Paul Thomas Anderson. Esta é a sexta colaboração consecutiva entre o diretor e o compositor, que já trabalharam juntos desde “Sangue Negro” (2007).
O trabalho apresenta dezoito composições inéditas, interpretadas pela London Contemporary Orchestra sob a regência de Hugh Brunt. Greenwood também assume diversos instrumentos na gravação, incluindo piano, guitarra, baixo, percussão e o singular ondes Martenot.
A trilha sonora funciona como um dos personagens centrais do filme, dando alma e ritmo à narrativa: frenética, tensa, incessante — como uma guerra que nunca cessa. Greenwood cria uma tensão permanente, mesmo nos momentos mais cômicos, tornando o ar sempre denso e vibrante.
Além das composições originais, o filme é recheado de “needle drops” — momentos em que canções pré-existentes são inseridas de forma impactante, incluindo artistas como Gil Scott-Heron, Steely Dan, Travis Scott, Jackson 5, Ella Fitzgerald e Tom Petty.
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Max Richter – “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet”

Max Richter lançou sua trilha sonora original para o aclamado filme “Hamnet: A Vida Antes de Hamlet“, da diretora vencedora do Oscar Chloé Zhao (Nomadland). O filme, protagonizado por Jessie Buckley e Paul Mescal, conta a poderosa história de amor e perda que inspirou a criação de “Hamlet”, de Shakespeare.
Um dos compositores mais influentes de sua geração, Richter é conhecido por mesclar orquestração tradicional com elementos eletrônicos modernos, uma marca registrada da trilha de “Hamnet”. O compositor já tem mais de 50 projetos em seu currículo, tendo colaborado com diretores como Denis Villeneuve, Martin Scorsese e Ari Folman.
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Hans Zimmer – “F1: O Filme”
O lendário compositor Hans Zimmer, vencedor de Oscar, assinou a trilha sonora de “F1“, dirigido por Joseph Kosinski e estrelado por Brad Pitt. Zimmer traz uma sonoridade similar ao seu trabalho em “Rush” (2013), misturando rock pesado com elementos orquestrais e eletrônicos.
Zimmer busca capturar o som da Fórmula 1, inspirando-se na icônica ponte instrumental de “The Chain” do Fleetwood Mac, que foi usada como tema da cobertura da F1 pela BBC por décadas. A trilha combina orquestra infundida com techno/house em uma experiência sólida e extremamente divertida, com 15 faixas de adrenalina pura.
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Kangding Ray – “Sirāt”

Kangding Ray, pseudônimo do produtor de música eletrônica David Letellier, compôs a trilha sonora para o drama espanhol/francês “Sirāt”, dirigido por Óliver Laxe. O filme levou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2025 e foi selecionado como representante da Espanha na categoria de Melhor Filme Internacional para o Oscar.
A trilha apresenta 12 faixas que transitam do techno intenso para paisagens sonoras minimalistas e experimentais, gradualmente dissolvendo-se em algo mais como uma trilha sonora tradicional.
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