
As locações de A Odisseia refletem a ambiciosa visão de Christopher Nolan para adaptar a epopeia de Homero ao cinema. A produção foi gravada em seis países, combinando paisagens históricas reais com cenários associados à mitologia grega. O diretor escolheu locais que ecoam não apenas o texto clássico, mas também desafiam fisicamente o elenco e a equipe técnica.
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Quando Christopher Nolan decidiu adaptar a epopeia de Homero para o cinema, escolheu fazer exatamente o que mais o caracteriza: filmar tudo em locações reais. Sua estratégia para A Odisseia consistiu em levar a produção a seis países distintos, transformando a jornada de Odisseu não apenas em narrativa visual, mas também em uma experiência palpável de viagem.
O filme, que estreia em , foi integralmente gravado utilizando tecnologia IMAX 70 mm, capturando cada localidade em escala monumental.
🌍 Itália: O Coração do Épico Marítimo
Favignana, na Sicília, foi uma das principais locações utilizadas por Christopher Nolan para representar a jornada de Odisseu em A Odisseia.A maioria das sequências italianas ocorreu em Favignana, a maior das Ilhas Egadi, localizada no litoral noroeste da Sicília. A escolha não foi casual: Favignana é tradicionalmente associada pela erudição clássica ao lugar onde Homero imaginou Odisseu e sua tripulação desembarcando para caçar cabras e reabastecer suprimentos — a famosa “ilha das cabras” descrita na narrativa homérica.
Para além de Favignana, as Ilhas Eolinas também desempenharam papel essencial na produção. Segundo a mitologia grega, o arquipélago era a morada de Éolo, guardião dos ventos. Christopher Nolan gravou sequências em Basiluzzo, um pequeno ilhéu com vista privilegiada para as constantes erupções do vulcão Stromboli, e em Vulcano, cuja cratera fumegante e poças de lama borbulhante oferecem uma paisagem naturalmente épica.
A presença de dois vulcões ativos reforçou o clima de imprevisibilidade e perigo da jornada de Odisseu, dispensando a criação de grandes cenários artificiais. Ao utilizar ambientes reais, Nolan manteve sua característica abordagem prática, privilegiando locações autênticas capazes de transmitir uma sensação de escala e realismo impossível de reproduzir integralmente em estúdio.
🌍 Grécia: O Retorno ao Solo de Homero
A região de Messênia, no Peloponeso, serviu como cenário para diversas sequências de A Odisseia.A produção permaneceu na Grécia de 10 a 21 de março de 2025, concentrando-se na região de Messênia, no Peloponeso. Este território ensolarado já possui, por si só, uma atmosfera épica que dispensou construções cenográficas.
A região também incluiu Acrocorinto, uma fortificação impressionante cujas muralhas envolvem um penhasco rochoso que se eleva cerca de 500 metros acima do nível do mar. O local, carregado de história militar e simbólica, funcionou como cenário perfeito para o retorno de Odisseu ao reino de Ítaca.
Marrocos: Troia e as Areias do Tempo

Para a sequência de abertura do filme, que documenta o sítio de Troia ao final da guerra, Nolan selecionou Aït Benhaddou, uma aldeia construída inteiramente em adobe, localizada perto de Ouarzazate. O sítio é Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e oferece uma autenticidade construtiva impossível de replicar em estúdio.
Aït Benhaddou, Ouarzazate
A aldeia de terra compactada, com suas estruturas geométricas e textura envelhecida, forneceu uma representação visceral das estruturas de guerra e cerco. A escolha corrobora a abordagem de Nolan: ao invés de construir Troia em um set, ele integrou a geografia e arquitetura existentes na narrativa cinematográfica
❄️ Islândia: As Profundezas do Hades

As paisagens glaciais e praias de areia negra islandesas foram empregadas para representar visualmente o reino de Hades. O diretor já havia recorrido à Islândia em produções anteriores — Batman Begins (2005) e Interstellar (2014) — o que lhe permitiu uma familiaridade com o isolamento e a dramaticidade geológica do país.
Escócia: A Ilha da Feiticeira Circe

A ilha de Circe, Aeaea, foi representada através de locações ao longo da costa do Moray Firth, no nordeste escocês. Esta porção do Mar do Norte oferece um cenário nebuloso e apreensivo, alternando entre falésias verticais e florestas densas.
Findlater Castle e Culbin Forest
O Castelo de Findlater, ruína fortificada perchada sobre rochas costeiras, forneceu uma locação arquitetônica para segmentos da narrativa envolvendo Circe. A Floresta de Culbin, com sua textura densa e coloração escura, complementou o tom misterioso e perigoso dessa fase da odisseia de Odisseu.
🏜️ Western Sahara: O Refúgio de Calipso

A ilha de Calipso foi filmada junto à praia de Duna Branca (White Dune), próxima a Dakhla, na região do Rio de Ouro, em Western Sahara (Saara Ocidental). Paradoxalmente, apesar de sua função narrativa como um paraíso isolado, a locação apresentou desafios brutais durante a produção.
A Abordagem de Nolan: Localização Como Narrativa

A decisão de Nolan de filmar integralmente em locação, atravessando seis países ao longo de aproximadamente seis meses (fevereiro a agosto de 2025), não foi meramente estética. Em entrevista durante a produção, o diretor explicou que a estratégia visava capturar “como difíceis teriam sido aquelas jornadas para as pessoas”, e que o “salto de fé em um mundo não mapeado, não descoberto” só poderia ser genuinamente transmitido pela confrontação diária com o mundo real.
Cada mudança de país, cada alteração climática, cada obstrução geográfica funcionou como extensão dramatúrgica. Quando Damon chegava sujo de sal marinho aos cenários, quando a equipe técnica enfrentava tempestades súbitas ou encontrava impossibilidades de acesso, essas experiências brut eram transmitidas através da câmera e do desempenho do elenco.
Essa filosofia situa A Odisseia dentro de uma linhagem consistent de produção de Nolan: depois de Oppenheimer (2023) — gravado quase integralmente em Los Alamos e Princeton — o diretor continua priorizando a espacialidade real como instrumento narrativo. Para esta adaptação de Homero, porém, a escala é inédita em sua carreira: com orçamento estimado em $250 milhões, trata-se de sua produção mais cara até o momento, e presumivelmente a que incorpora mais locações naturais em qualquer de seus filmes.
O uso de tecnologia IMAX recém redesenhada — pela primeira vez em um blockbuster integralmente capturado em 70mm — amplifica ainda mais o impacto visual dessas geografias. Favignana, as encostas glaciais islandesas, as ruínas escocesas e as dunas marroquinas não apenas situam narrativamente a jornada de Odisseu, mas ganham presença monumental na tela, transformando-os em personagens invisíveis que moldam toda a mise-en-scène cinematográfica.
Título original: The Odyssey
Nacionalidades: Estados Unidos da América, Reino Unido
Gêneros: Ação, Aventura, Épico, Fantasia, Historia
Ano de produção: 2026
Data de estreia: 17 de julho de 2026 (Cinema – Brasil)
Elenco: Matt Damon, Tom Holland, Zendaya, Jon Bernthal, Robert Pattinson, Anne Hathaway
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Homer, Christopher Nolan
Distribuição: Universal Pictures





