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10 Curiosidades sobre He-Man

Pelos poderes de Grayskull... Eu tenho a força!

Ficha Técnica: He-Man
  • Identidade: Príncipe Adam / He-Man
  • Planeta: Eternia
  • Arma: Espada do Poder
  • Afiliação: Mestres do Universo
  • Castelo: Grayskull
  • Criador: Roger Sweet
  • Primeira Aparição: 1982

Em 5 de junho de 2026, Mestres do Universo chega aos cinemas brasileiros estrelado por Nicholas Galitzine no papel de He-Man e com direção de Travis Knight, conhecido por trabalhos como Bumblebee e Kubo and the Two Strings.

O retorno do herói às telonas encerra uma longa espera e resgata uma franquia marcada por décadas de história, reviravoltas nos bastidores, disputas judiciais e decisões criativas que ajudaram a moldar a cultura pop dos anos 1980 — e que continuam influenciando novas gerações até hoje.




Relacionado: Planeta Eternia: A história completa do mundo de He-Man

Para celebrar a estreia do longa, reunimos 10 curiosidades sobre He-Man que mostram como o personagem se transformou em um dos maiores ícones da cultura geek e por que seu legado permanece tão relevante mesmo após mais de quatro décadas.

A origem de He-Man

Arte mostrando a origem de He-Man e a criação do personagem pela Mattel nos anos 1980.
A criação de He-Man surgiu após a Mattel recusar a licença de Star Wars.

He-Man nasceu a partir de uma das recusas mais emblemáticas da indústria dos brinquedos. Em 1976, a Mattel recebeu a proposta para licenciar e produzir os brinquedos de um filme que ainda nem havia chegado aos cinemas: Star Wars. Convicta de que o projeto não renderia o retorno esperado, a companhia recusou a oferta — uma decisão que acabaria se tornando um dos maiores erros de sua história.

Quem aproveitou a oportunidade foi a Kenner Products, que assumiu a linha de produtos da saga criada por George Lucas e dominou o mercado de colecionáveis durante anos. Diante do sucesso estrondoso da franquia espacial, a Mattel decidiu reagir criando sua própria linha de brinquedos de ação. Foi nesse contexto que o universo de He-Man começou a ganhar forma.

O designer Roger Sweet (que faleceu em abril deste ano) foi o principal responsável por desenvolver o conceito inicial do personagem: um guerreiro musculoso, imponente e com visual que misturava fantasia medieval e ficção científica. A partir desse protótipo, surgiram não apenas He-Man, mas toda a mitologia de Eternia, incluindo heróis, vilões e elementos que transformariam a franquia em um fenômeno global da cultura pop.

Como Conan, o Bárbaro influenciou a criação de He-Man

Arte comparando Conan, o Bárbaro, e He-Man, mostrando a influência visual na criação do herói da Mattel.
O sucesso de Conan ajudou a inspirar o visual e o conceito inicial de He-Man.

Em 1980, a Mattel fechou um acordo para produzir brinquedos inspirados em Conan, o Bárbaro, adaptação cinematográfica do personagem criado por Robert E. Howard que chegaria aos cinemas em 1982. No entanto, após avaliar o conteúdo do longa estrelado por Arnold Schwarzenegger, os executivos da companhia concluíram que o nível de violência era inadequado para o público infantil e decidiram cancelar o contrato.

O problema é que a estrutura de produção da linha de brinquedos já estava em desenvolvimento. Para evitar prejuízos, a Mattel optou por criar um novo personagem que aproveitasse o mesmo conceito físico robusto planejado para Conan, mas inserido em um universo original e voltado para crianças. Com o sucesso de Conan nos cinemas, os criadores da Mattel perceberam que aquele visual de guerreiro bárbaro musculoso poderia funcionar como base para um novo herói. Assim nasceu He-Man, cuja aparência rapidamente despertou comparações com o personagem de Schwarzenegger.

A semelhança entre os dois universos acabou levando a Universal Studios a processar a Mattel por suposta violação de direitos autorais. A disputa judicial se arrastou por cinco anos. No fim, a Mattel saiu vitoriosa ao argumentar que He-Man representava um arquétipo clássico do herói mitológico — semelhante a figuras como Beowulf, Hercules e Tarzan — e não uma cópia direta de Conan.

O desenho de He-Man revolucionou a televisão infantil

Arte mostrando He-Man revolucionando a televisão infantil e influenciando desenhos dos anos 1980.
He-Man ajudou a transformar a distribuição e o mercado de animações infantis.

Quando a Mattel e a Filmation apresentaram a série animada de He-Man and the Masters of the Universe à rede ABC, o projeto foi recusado. Diante da negativa, as empresas apostaram em um modelo pouco explorado na época: a distribuição por sindicação independente. A estratégia acabou se tornando um fenômeno.

Lançado em setembro de 1983, o desenho entrou para a história como a primeira série sindicada da televisão americana inteiramente baseada em uma linha de brinquedos. O sucesso foi imediato e transformou He-Man em um dos maiores ícones da cultura pop dos anos 1980.

Em 1984, a animação já era exibida em 120 emissoras nos Estados Unidos e em mais de 30 países. Até meados de 1985, o programa havia alcançado 152 emissoras americanas, consolidando-se como a série sindicada mais popular entre crianças de 2 a 11 anos.

O impacto de He-Man foi tão grande que ajudou a redefinir o mercado de animações infantis, abrindo caminho para produções criadas com forte apelo comercial ligado a brinquedos. O modelo inspirou franquias como G.I. Joe e Transformers, frequentemente chamadas na indústria de “comerciais de 22 minutos”.

Versão original de He-Man era bem diferente da animação

Arte mostrando a versão original de He-Man nos mini-gibis antes da animação da Filmation.
Antes da série animada, He-Man possuía uma origem e visual diferentes nos mini-quadrinhos.

Antes do sucesso da série animada, cada boneco da linha Masters of the Universe era acompanhado por um mini-gibi que expandia o universo dos personagens. Nessas histórias iniciais, He-Man tinha uma origem bastante diferente daquela que ficou conhecida pelo grande público nos desenhos da Filmation.

Na versão original dos quadrinhos, He-Man era apresentado apenas como um poderoso bárbaro de Eternia, sem identidade secreta e sem qualquer ligação com o alter ego do Príncipe Adam. O herói havia recebido armas e habilidades místicas da Feiticeira do Castelo de Grayskull para enfrentar Skeletor.

Outra diferença marcante estava na Espada do Poder. Nos mini-gibis, tanto He-Man quanto Esqueleto possuíam metade da arma. Unidas, as duas partes formariam a chave capaz de abrir os segredos do Castelo de Grayskull.

Foi apenas com a estreia da animação He-Man e os Defensores do Universo que surgiu o conceito que se tornaria definitivo para a franquia: o Príncipe Adam se transformando em He-Man ao erguer a espada e proclamar sua famosa frase de transformação.

A mãe de He-Man veio da Terra

Arte mostrando a origem da mãe de He-Man como astronauta da Terra que chegou ao planeta Eternia.
A história revela que a mãe do Príncipe Adam era originalmente uma astronauta da Terra.

Um dos detalhes mais curiosos da mitologia de Mestres do Universo envolve a origem da família do Príncipe Adam. Enquanto Rei Randor nasceu e viveu em Eternia durante toda a vida, sua esposa, Queen Marlena, é originalmente da Terra.

Segundo os quadrinhos clássicos, Marlena era uma astronauta da NASA que teve sua nave desviada do curso durante uma missão espacial. Após cair em Eternia, ela foi resgatada por Randor. Os dois acabaram se apaixonando, se casaram e tiveram o Príncipe Adam, que mais tarde se tornaria He-Man.

O elemento foi apresentado pela primeira vez nos quadrinhos publicados pela DC Comics e ajudou a criar uma ligação inesperada entre Eternia e o universo dos super-heróis. Em uma das histórias, Marlena conta ao jovem Adam sobre as aventuras de Superman, estabelecendo um curioso elo entre as duas franquias.

He-Man já enfrentou Superman nos quadrinhos

Arte mostrando He-Man enfrentando Superman em crossover clássico dos quadrinhos da DC Comics.
O crossover entre He-Man e Superman marcou a história dos quadrinhos nos anos 1980.

Muito antes de dominar a televisão com a série animada, He-Man já havia cruzado caminho com um dos maiores ícones dos quadrinhos. Em 1982 — um ano antes da estreia de He-Man and the Masters of the Universe — o personagem protagonizou um crossover com Superman nas páginas da HQ DC Comics Presents #47.

Na trama, Superman era transportado para Eternia e acabava sendo manipulado por Skeletor, tornando-se um adversário direto de He-Man. O encontro ajudou a consolidar a parceria entre a DC Comics e a franquia Masters of the Universe, ampliando ainda mais a popularidade do personagem fora da linha de brinquedos.

Décadas depois, o crossover ganhou uma releitura ainda mais ambiciosa com a minissérie Injustice vs. Masters of the Universe. Na história, He-Man enfrenta uma versão tirânica do Superman, que domina a Terra após os eventos do universo Injustice.

A HQ também apresentou uma das transformações mais inusitadas do herói: em determinado momento, He-Man recebe temporariamente os poderes de Shazam, tornando-se uma poderosa fusão entre os dois personagens.

As lições de moral ajudaram a salvar He-Man das críticas

Arte mostrando He-Man e personagens da Filmation destacando as lições de moral exibidas ao final dos episódios.
As mensagens educativas da Filmation reduziram críticas ao desenho de He-Man nos anos 1980.

Por ter sido uma das primeiras animações diretamente vinculadas à venda de brinquedos, He-Man and the Masters of the Universe enfrentou forte resistência de grupos de pais e órgãos reguladores durante os anos 1980. Muitos críticos acusavam a produção da Filmation de funcionar como uma grande peça publicitária para impulsionar as vendas da linha de brinquedos da Mattel.

No Reino Unido, a repercussão chegou a provocar restrições oficiais: a legislação local proibiu que comerciais dos brinquedos de He-Man fossem exibidos durante a transmissão do próprio desenho.

Para amenizar as críticas, a Filmation encontrou uma solução criativa que acabaria se tornando uma das características mais marcantes da franquia. Ao final de cada episódio, personagens como He-Man, Teela, Orko e Man-At-Arms apareciam na tela para conversar diretamente com o público e transmitir uma lição de moral relacionada aos acontecimentos da história.

Temas como amizade, coragem, honestidade e responsabilidade eram abordados de forma simples e educativa. A estratégia não apenas ajudou a reduzir parte das críticas ao desenho, como também transformou os encerramentos educativos em uma das marcas mais lembradas e queridas de He-Man.

A animação de He-Man reutilizava movimentos reais

Arte sobre a animação de He-Man reutilizando movimentos reais através da técnica de rotoscopia nos anos 1980.
A Filmation utilizava rotoscopia para criar os movimentos de He-Man e outros personagens clássicos.

A Filmation utilizava em He-Man e os Defensores do Universo e uma técnica conhecida como rotoscopia, método em que os movimentos dos personagens animados eram desenhados a partir de filmagens reais de atores. O recurso já havia sido empregado pelo estúdio em outras produções, como Tarzan, Lord of the Jungle.

A técnica ajuda a explicar uma característica curiosa percebida por muitos fãs veteranos: personagens de diferentes desenhos da Filmation frequentemente apresentavam movimentos muito parecidos — em alguns casos, praticamente idênticos. Isso acontecia porque diversas sequências de ação eram reaproveitadas ou adaptadas entre produções para reduzir custos e acelerar o processo de animação.
Embora hoje a série revele limitações técnicas evidentes em comparação aos padrões modernos, He-Man foi considerada revolucionária em sua época por permitir que um super-herói animado utilizasse força física de maneira mais explícita na televisão infantil.

Nas décadas anteriores, regras rígidas de censura limitavam cenas de combate em desenhos voltados ao público infantil. He-Man ajudou a flexibilizar parte dessas restrições, abrindo espaço para produções de ação mais intensas ao longo dos anos 1980.

O filme de He-Man nos anos 1980 teve bastidores caóticos

Arte mostrando Dolph Lundgren como He-Man e Skeletor nos bastidores turbulentos do filme dos anos 1980.
O live-action de He-Man enfrentou problemas financeiros e produção turbulenta.

O live-action Mestres do Universo, estrelado por Dolph Lundgren no papel de He-Man, tornou-se um clássico cult cercado por histórias turbulentas de bastidores. Produzido pela The Cannon Group, o longa enfrentou sérios problemas financeiros durante as gravações.

A situação chegou a um ponto crítico em que o diretor Gary Goddard precisou usar dinheiro do próprio bolso para concluir a batalha final entre He-Man e Esqueleto. A sequência foi filmada com equipe reduzida e contando praticamente apenas com Lundgren, Frank Langella e alguns poucos profissionais restantes no set.

Mesmo em meio ao caos da produção, Frank Langella acabou entregando uma das atuações mais elogiadas do filme. Veterano do teatro e do cinema dramático, o ator revelou que aceitou interpretar Esqueleto imediatamente por causa do filho de 4 anos, fã declarado de He-Man, que costumava correr pela casa repetindo a famosa frase “I Have the Power!”.

Langella optou por uma interpretação mais contida e ameaçadora do vilão, frequentemente apontada pelos fãs como o grande destaque do longa. Em entrevistas posteriores, o ator chegou a afirmar que Esqueleto permanece entre seus papéis favoritos da carreira.

O elenco também contou com a participação de Courteney Cox, anos antes de alcançar fama mundial com a série Friends.

He-Man virou um império bilionário nos anos 1980

Arte mostrando He-Man como fenômeno bilionário da Mattel nos anos 1980 com brinquedos e produtos da franquia.
Masters of the Universe se tornou uma das franquias mais lucrativas da cultura pop.

He-Man não se tornou apenas um fenômeno da cultura pop — a franquia também revolucionou o mercado de entretenimento infantil como um dos maiores sucessos comerciais dos anos 1980. Durante aquela década, a Mattel faturou cerca de US$ 2 bilhões com a linha Masters of the Universe.

Ao todo, mais de 500 milhões de bonecos foram vendidos em diferentes partes do mundo, consolidando He-Man como uma das linhas de brinquedos mais lucrativas e influentes da história.

O impacto comercial da franquia ajudou a estabelecer um modelo que seria replicado pela indústria nas décadas seguintes: a integração entre desenhos animados, brinquedos e expansão transmídia. A partir de Masters of the Universe, produtos derivados como quadrinhos, videogames, filmes, roupas e licenciamentos diversos passaram a desempenhar papel central nas estratégias de grandes marcas de entretenimento.

Mais de quatro décadas depois, o universo de Eternia continua relevante. Com o novo live-action previsto para 2026, estrelado por Nicholas Galitzine, He-Man retorna às telonas carregando um legado que atravessou gerações — e que ainda demonstra a força de um dos maiores ícones da cultura geek mundial.

Felipe Bastos

Felipe Bastos da Silva é jornalista e crítico de cinema brasileiro, fundador e editor do site Cinema & Afins. Atua na cobertura de cinema, séries, games e cultura pop desde 2007, com foco em análises aprofundadas, críticas jornalísticas e reportagens especiais.Ao longo de sua carreira, consolidou o Cinema & Afins como uma das referências brasileiras em jornalismo de entretenimento, oferecendo conteúdo confiável, detalhado e com curadoria profissional. Felipe também produz listas, coberturas de estreias e artigos analíticos sobre a indústria audiovisual.

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