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5 Séries e Filmes Sobre Lizzie Borden

Como o Cinema e a TV Reconstruíram o Crime Mais Famoso da Nova Inglaterra

Poucos casos criminais do século XIX continuam tão conhecidos e cercados de mistério quanto o de Lizzie Borden. Em 4 de agosto de 1892, o comerciante Andrew Borden e sua segunda esposa, Abby Borden, foram encontrados mortos a golpes de machado dentro da própria residência, em Fall River, Massachusetts, nos Estados Unidos.

A principal suspeita era Lizzie Borden, filha mais nova de Andrew, que tinha 32 anos na época. O caso ganhou ainda mais notoriedade depois que Lizzie foi levada a julgamento e absolvida das acusações. Sem uma condenação e sem uma solução definitiva para os assassinatos, o episódio se transformou em um dos crimes mais intrigantes da história dos Estados Unidos.




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Mais de 130 anos depois dos assassinatos de Andrew e Abby Borden, a história continua despertando o interesse do público e inspirando produções para o cinema e a televisão. O mistério envolvendo Lizzie Borden já foi retratado em diferentes filmes e séries, explorando tanto os acontecimentos de 1892 quanto as teorias e interpretações construídas ao longo das décadas.

Entre as adaptações estão produções lançadas desde a década de 1970, passando pelo cinema independente e pela televisão, até chegar às plataformas de streaming. A mais recente estreia nesta quinta-feira, 17 de setembro, na Netflix, ampliando a lista de produções inspiradas no famoso caso criminal.

A seguir, confira os principais séries e filmes sobre Lizzie Borden, apresentados em ordem cronológica de lançamento, e descubra como cada produção revisita um dos crimes mais famosos e controversos dos Estados Unidos.

A Lenda de Lizzie Borden (1975)

Elizabeth Montgomery como Lizzie Borden segurando um machado em A Lenda de Lizzie Borden
Elizabeth Montgomery interpreta Lizzie Borden no telefilme A Lenda de Lizzie Borden (1975).

A primeira grande dramatização do caso de Lizzie Borden chegou à televisão americana em 10 de fevereiro de 1975, exibida pela rede ABC. Intitulado A Lenda de Lizzie Borden (The Legend of Lizzie Borden), o telefilme foi dirigido por Paul Wendkos e teve roteiro de William Bast.

No papel-título está Elizabeth Montgomery, conhecida por interpretar Samantha Stephens em A Feiticeira. Sua atuação como Lizzie Borden recebeu uma indicação ao Emmy, enquanto a produção também foi reconhecida com uma indicação ao Globo de Ouro na categoria de melhor produção feita para a televisão.

A trama acompanha os principais acontecimentos do caso real, desde a descoberta dos corpos de Andrew e Abby Borden até a investigação conduzida pela polícia de Fall River e o julgamento que terminou com a absolvição de Lizzie. A produção também retrata o comportamento reservado da acusada durante os interrogatórios e a repercussão do crime na sociedade da época.

Sem recorrer a elementos sobrenaturais ou a uma trama romântica, A Lenda de Lizzie Borden aposta em uma abordagem de reconstituição histórica. A produção se concentra nos acontecimentos relacionados aos assassinatos de 1892 e no processo judicial que transformou Lizzie em uma das figuras mais conhecidas da história criminal americana.

Por sua abordagem centrada no caso e no julgamento, o telefilme permanece como uma das primeiras representações audiovisuais de grande alcance sobre Lizzie Borden e os assassinatos de Fall River, ajudando a estabelecer a história como fonte recorrente de adaptações para o cinema e a televisão.

A Arma de Lizzie Borden (2014)

Christina Ricci como Lizzie Borden segurando um machado em A Arma de Lizzie Borden
Christina Ricci interpreta Lizzie Borden no telefilme A Arma de Lizzie Borden (2014).

Quase quatro décadas depois de A Lenda de Lizzie Borden, o caso voltou à televisão em 2014 com A Arma de Lizzie Borden (Lizzie Borden Took an Ax), telefilme produzido pela Sony Pictures Television para o canal Lifetime. Dirigido por Nick Gomez e escrito por Stephen Kay, o filme é protagonizado por Christina Ricci no papel de Lizzie Borden.

A produção acompanha os acontecimentos de 1892, quando Lizzie retorna para casa e encontra o pai, Andrew Borden, e a madrasta, Abby Borden, mortos a golpes de machado. A investigação rapidamente coloca a filha mais nova de Andrew no centro das suspeitas, enquanto seu advogado, Andrew Jennings, tenta sustentar sua inocência durante um julgamento que também ganha enorme repercussão na imprensa.

Diferentemente da abordagem mais tradicional do telefilme de 1975, A Arma de Lizzie Borden adota uma linguagem mais próxima do drama criminal e do suspense. A produção explora a atmosfera opressiva da casa dos Borden e apresenta uma versão dramatizada dos acontecimentos, concentrando-se principalmente na investigação, nas acusações contra Lizzie e no julgamento que terminou com sua absolvição.

O filme também incorpora elementos sobre as tensões familiares e a situação financeira dos Borden, mas não apresenta uma explicação definitiva para os assassinatos.  A estreia de A Arma de Lizzie Borden aconteceu em 25 de janeiro de 2014 no Lifetime. A produção teve audiência de cerca de 4,4 milhões de espectadores em sua exibição original e acabou dando origem a uma continuação em formato de minissérie.

The Lizzie Borden Chronicles (2015)

Christina Ricci como Lizzie Borden em cena de The Lizzie Borden Chronicles
Christina Ricci retorna como Lizzie Borden em The Lizzie Borden Chronicles (2015).

A história de Lizzie Borden ganhou uma continuação em formato de minissérie em 2015, novamente com Christina Ricci no papel principal. Intitulada The Lizzie Borden Chronicles, a produção do Lifetime também conta com Clea DuVall, como Emma Borden, e Cole Hauser, como o detetive da agência Pinkerton, Charlie Siringo. A série teve oito episódios e estreou nos Estados Unidos em 5 de abril de 2015.

Diferentemente de A Arma de Lizzie Borden (Lizzie Borden Took an Ax), que dramatiza os acontecimentos relacionados aos assassinatos e ao julgamento, a minissérie começa quatro meses depois da absolvição de Lizzie. Na história, ambientada em 1893, ela e a irmã Emma tentam reconstruir suas vidas em Fall River, enquanto enfrentam dificuldades financeiras e a hostilidade de parte da população, que continua associando Lizzie aos assassinatos do pai e da madrasta.

A trama ganha um novo eixo com a chegada de Charlie Siringo, detetive da agência Pinkerton determinado a investigar Lizzie e descobrir se ela realmente esteve envolvida nos assassinatos. Ao longo dos episódios, a personagem passa a enfrentar uma série de conflitos envolvendo sua reputação, relações pessoais, dinheiro e pessoas que entram em seu caminho.

Ao contrário de uma reconstituição histórica do caso de 1892, The Lizzie Borden Chronicles assume uma abordagem de ficção histórica. A própria produção é descrita como uma versão ficcionalizada de acontecimentos e personagens relacionados à vida de Lizzie Borden após sua absolvição. Dessa forma, a série utiliza o caso real como ponto de partida para construir uma narrativa de crime, suspense e drama.

A produção também amplia consideravelmente a história ao colocar Lizzie no centro de novos acontecimentos e introduzir personagens que não fazem parte da investigação histórica dos assassinatos de Andrew e Abby Borden. Entre eles está o próprio Siringo, cuja investigação funciona como um dos principais motores da narrativa.

Com apenas uma temporada e oito episódios, The Lizzie Borden Chronicles representa uma das adaptações mais livres sobre Lizzie Borden. Em vez de tentar reconstituir o julgamento de 1893, a série parte da pergunta sobre o que poderia ter acontecido com Lizzie depois de sua absolvição e transforma essa possibilidade em uma trama ficcional de crime e suspense.

Lizzie (2018)

Chloë Sevigny como Lizzie Borden ao lado de Kristen Stewart como Bridget Sullivan em Lizzie
Chloë Sevigny interpreta Lizzie Borden e Kristen Stewart vive Bridget Sullivan no filme Lizzie (2018).

Lizzie chegou aos cinemas em 2018 com uma abordagem mais intimista e ficcionalizada do caso de Lizzie Borden. Dirigido por Craig William Macneill e escrito por Bryce Kass, o filme é estrelado por Chloë Sevigny como Lizzie e Kristen Stewart como Bridget Sullivan. O longa estreou no Festival de Sundance e chegou aos cinemas brasileiros em 3 de janeiro de 2019.

A história se passa nos meses anteriores aos assassinatos de Andrew e Abby Borden e acompanha a rotina da família. Lizzie é retratada sob a rígida autoridade do pai, enquanto a chegada de Bridget aumenta as tensões dentro da casa e aproxima as duas mulheres.

O roteiro imagina um envolvimento amoroso entre Lizzie e Bridget, usando a relação como parte da possível motivação para os crimes. Não há, porém, evidência histórica conclusiva de que as duas tenham mantido um romance. O filme também explora os conflitos envolvendo dinheiro, herança e o controle exercido por Andrew sobre a filha.

Os assassinatos são apresentados em uma sequência de forte impacto visual, marcada pela violência e pelo contraste com o ritmo mais contido do restante da produção. Com isso, Lizzie combina personagens e acontecimentos reais com elementos especulativos para criar sua própria interpretação do caso.

No final, o filme retoma o julgamento e preserva a ambiguidade em torno da responsabilidade de Lizzie. Na história real, ela foi julgada e absolvida em 1893, e os assassinatos de Andrew e Abby Borden permanecem oficialmente sem um autor identificado.

A Maldição de Lizzie Borden (2021)

Stephanie Wyatt interpreta Lizzie Borden em A Maldição de Lizzie Borden
Stephanie Wyatt interpreta Lizzie Borden nas dramatizações de A Maldição de Lizzie Borden (2021).

O caso de Lizzie Borden também foi explorado pelo gênero documental, desta vez sob uma perspectiva paranormal. Lançado em 2021, A Maldição de Lizzie Borden (The Curse of Lizzie Borden) é um especial produzido para a franquia Shock Docs, com direção de Dan Bush. A produção mistura investigação criminal, documentário e elementos de terror sobrenatural.

Apresentado por Dave Schrader, o programa reúne uma equipe de investigadores paranormais para examinar a hipótese de que uma suposta maldição familiar estaria relacionada aos assassinatos de Andrew e Abby Borden, ocorridos em Fall River, Massachusetts, em 1892. A produção também apresenta alegadas evidências de que o fantasma de Lizzie Borden permaneceria na casa onde os crimes aconteceram.

Um dos principais momentos do especial é uma sessão espírita realizada na antiga casa dos Borden, conduzida pela equipe com o objetivo de investigar os supostos fenômenos sobrenaturais associados ao local. A produção utiliza a sessão como parte da tentativa de estabelecer uma ligação entre a história da família e a suposta presença paranormal atribuída à residência. :

Diferentemente dos filmes que dramatizam o julgamento de Lizzie Borden ou imaginam acontecimentos posteriores à sua absolvição, A Maldição de Lizzie Borden parte de uma abordagem de investigação paranormal. A produção apresenta a possibilidade de uma maldição e de manifestações sobrenaturais como hipóteses investigadas pelo programa, e não como fatos históricos estabelecidos.

Com aproximadamente 1 hora e 28 minutos, o especial foi lançado nos Estados Unidos em 10 de setembro de 2021. No Brasil, o título está disponível em serviços associados ao HBO Max/Max, conforme registros atuais de streaming.

Assim, A Maldição de Lizzie Borden ocupa uma posição diferente entre as produções sobre o caso: em vez de tentar reconstruir historicamente os assassinatos, utiliza a investigação paranormal para explorar uma das histórias criminais mais conhecidas dos Estados Unidos sob a perspectiva de supostos fenômenos sobrenaturais.

Monstro: A História de Lizzie Borden (2026)

Primeiras imagens de Monstro: A História de Lizzie Borden revelam o pôster oficial da 4ª temporada da série da Netflix criada por Ryan Murphy.

A mais recente adaptação do caso de Lizzie Borden chega à Netflix nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026. Com oito episódios lançados de uma só vez, Monstro: A História de Lizzie Borden é a quarta produção da antologia Monstro, criada por Ryan Murphy e Ian Brennan, após as temporadas sobre Jeffrey Dahmer, os irmãos Menendez e Ed Gein. A nova história também marca a primeira vez que a franquia coloca uma mulher no centro de sua narrativa.

Comparação entre Lizzie Borden e Ella Beatty, mostrando os personagens reais de Monstro: A História de Lizzie Borden na série da Netflix.Ella Beatty interpreta Lizzie Borden, em seu primeiro papel principal na televisão. O elenco conta ainda com Vicky Krieps como Bridget “Maggie” Sullivan, Charlie Hunnam como Andrew Borden, Rebecca Hall como Abby Borden, Billie Lourd como Emma Borden e Jessica Barden como Nance O’Neil. Sarah Paulson interpreta a serial killer Aileen Wuornos, personagem que aparece em momentos ambientados décadas depois e estabelece uma conexão temática com a história de Lizzie.

A direção é dividida entre Max Winkler, responsável por seis episódios, e Sarah Adina Smith, que dirige os outros dois. A temporada mantém a proposta da antologia de combinar acontecimentos históricos com uma abordagem dramatizada.

Charlie Hunnam interpreta Andrew Borden em cena de MONSTRO: A História de Lizzie Borden.
Charlie Hunnam interpreta Andrew Borden, pai de Lizzie, na quarta temporada da série da Netflix.

Segundo a Netflix, a trama acompanha Lizzie, uma jovem reprimida em uma família rica da Nova Inglaterra, e sua relação com Maggie, a nova empregada da casa. Em meio a um ambiente marcado por humilhação e crueldade, as duas encontram uma forma de escapar por meio de uma relação que envolve sexo, poder e vingança. A história culmina nos assassinatos de Andrew e Abby Borden e na transformação de Lizzie em uma figura que atravessaria gerações.

A produção também amplia o caso histórico ao explorar temas como repressão feminina, violência, poder e as circunstâncias sociais que cercavam as mulheres no século XIX. Em vez de se limitar à investigação dos assassinatos, a série procura construir uma interpretação sobre como Lizzie Borden se tornou uma das figuras mais conhecidas do true crime americano.

Felipe Bastos

Felipe Bastos da Silva é jornalista e crítico de cinema brasileiro, fundador e editor do site Cinema & Afins. Atua na cobertura de cinema, séries, games e cultura pop desde 2007, com foco em análises aprofundadas, críticas jornalísticas e reportagens especiais.Ao longo de sua carreira, consolidou o Cinema & Afins como uma das referências brasileiras em jornalismo de entretenimento, oferecendo conteúdo confiável, detalhado e com curadoria profissional. Felipe também produz listas, coberturas de estreias e artigos analíticos sobre a indústria audiovisual.

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