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Quem é Supergirl? Origem, poderes e história da heroína da DC

A Supergirl é uma das personagens mais icônicas da DC Comics, reconhecida por sua força extraordinária, senso de justiça e ligação direta com o legado do Superman.

Criada no fim da década de 1950, a heroína atravessou diferentes fases nos quadrinhos, além de adaptações para séries, filmes e animações, consolidando-se como uma figura central no universo da editora.




Com o anúncio de sua introdução no novo DC Universe (DCU), a personagem voltou ao centro das atenções, despertando o interesse tanto de fãs de longa data quanto de uma nova geração de espectadores.

Para compreender o peso dessa nova versão, no entanto, é fundamental revisitar a trajetória de mais de seis décadas da Supergirl — uma história construída entre reinvenções, momentos marcantes e diferentes interpretações nos quadrinhos, no cinema e na televisão.

📌 Ficha da Personagem

  • Nome real: Kara Zor-El
  • Codinome: Supergirl / A Donzela de Aço
  • Criação: Otto Binder e Al Plastino
  • Família: Prima de Kal-El (Superman)
  • Planeta natal: Krypton (Argo City)
  • Fraquezas: Kryptonita, magia, sol vermelho

A origem da Supergirl

Supergirl surgiu nos quadrinhos em maio de 1959, na edição Action Comics #252, criada pelo roteirista Otto Binder e pelo desenhista Al Plastino. Publicada pela DC Comics, a história apresentou Kara Zor-El como prima do Superman — uma sobrevivente de Argo City, fragmento de Krypton que escapou da destruição do planeta.


Capa de Action Comics #252 (1959), primeira aparição da Supergirl, com Kara Zor-El ao lado do Superman nos quadrinhos da DC Comics
Primeira aparição da Supergirl em Action Comics #252 (1959), introduzindo Kara Zor-El como prima do Superman no universo da DC Comics.

Enquanto o bebê Kal-El foi enviado à Terra como último recurso, Kara partiu já adolescente — plenamente consciente do que estava deixando para trás. Essa diferença define a essência da personagem.

Ao contrário de Clark Kent, criado em Smallville sem memórias de Krypton, Kara carregou consigo lembranças, cultura e traumas de seu planeta natal. Essa carga emocional a torna uma das figuras mais complexas do universo DC — elemento que o filme de 2026 coloca no centro de sua narrativa.

Nos primeiros anos, Supergirl foi apresentada como uma espécie de sidekick do Superman, mantida em segredo como uma “arma reserva”. No entanto, ao longo das décadas de 1960 e 1970, a personagem conquistou autonomia, estrelando histórias próprias em títulos como Adventure Comics e Superman Family, consolidando uma base fiel de leitores.

Poderes da Supergirl


Supergirl utilizando seus poderes como voo, superforça e visão de calor nos quadrinhos da DC Comics
Supergirl demonstrando seus principais poderes — como voo, superforça e visão de calor — nos quadrinhos da DC Comics.

Como kryptoniana exposta à luz solar amarela de um sol classe G2 — como o Sol da Terra —, Supergirl possui um conjunto de habilidades equivalente, e em algumas interpretações ligeiramente superior, ao do próprio Superman. Seus poderes derivam da capacidade das células kryptonianas de absorver e processar energia solar de forma exponencialmente mais eficiente do que os organismos terrestres.

A Supergirl possui habilidades extraordinárias herdadas de sua fisiologia kryptoniana sob o sol amarelo da Terra. Seus poderes a colocam entre os seres mais poderosos do universo DC.

Infográfico em estilo quadrinhos destacando os poderes da Supergirl, com ilustrações inspiradas em HQs e descrição de habilidades kryptonianas sob o sol amarelo da Terra.

  • 💪

    Superforça

    Capaz de mover objetos de escala planetária. Nos quadrinhos, já foi retratada movendo luas e resistindo a explosões nucleares.

  • ✈️

    Voo

    Velocidade de voo que pode ultrapassar a luz em certas versões. No espaço, voa entre sistemas solares sem auxílio.

  • 🛡️

    Invulnerabilidade

    A pele kryptoniana resiste a armamentos convencionais, explosões e temperaturas extremas sob luz amarela.


  • Velocidade

    Reflexos e velocidade de movimento que rivalizam com o Flash em algumas versões dos quadrinhos.

  • 🔥

    Visão de Calor

    Emite feixes de energia calorífica pelos olhos com precisão cirúrgica ou em escala destrutiva.

  • 🔍

    Visão de Raio-X

    Enxerga através de quase qualquer material, com exceção do chumbo. Pode alcançar grandes distâncias.

  • ❄️

    Sopro Ártico

    Expulsa ar a temperaturas negativas extremas, capaz de congelar alvos instantaneamente.

  • 👂

    Audição Super-Humana

    Capta sons em frequências impossíveis para humanos e a longas distâncias, incluindo batimentos cardíacos.

Um detalhe narrativo explorado desde os quadrinhos e retomado pelo DCU de James Gunn: sob luz solar vermelha, Supergirl perde seus poderes completamente — tornando-se, em termos físicos, uma jovem comum de 21 anos. O filme de 2026 usa isso de forma literal: Kara visita planetas com sol vermelho justamente para poder beber álcool e sentir os efeitos da bebida, já que sob luz amarela sua invulnerabilidade metabólica tornaria isso impossível.

Evolução nos quadrinhos: morte, ressurreição e reinvenção


Supergirl morta nos braços do Superman em Crisis on Infinite Earths #7 (1985), uma das cenas mais icônicas da DC Comics
A morte de Supergirl em Crisis on Infinite Earths #7 (1985), sacrificando-se para salvar o universo DC.

A trajetória editorial de Supergirl é marcada por rupturas dramáticas. A versão original de Kara Zor-El teve um dos finais mais impactantes da história dos quadrinhos mainstream: em Crisis on Infinite Earths #7 (1985), ela morreu enfrentando o Anti-Monitor para salvar o Superman e o universo. A cena, desenhada por George Pérez, tornou-se uma das mais icônicas da DC — e a personagem ficou morta por quase duas décadas.

Durante esse período, a DC introduziu versões alternativas: uma protoplásmica criada por Lex Luthor, uma mística procedente de uma dimensão paralela e outras iterações que não conquistaram o mesmo espaço.


Capa de Superman Batman #8 (2004), marcando o retorno da Supergirl à continuidade da DC Comics
O retorno de Supergirl em Superman/Batman #8 (2004), quando Kara Zor-El é reintroduzida na continuidade da DC Comics.

Apenas em 2004, com a minissérie Superman/Batman #8–13, roteirizada por Jeph Loeb, a DC restaurou Kara Zor-El como prima legítima do Superman — em uma história que a encontrou emergindo de uma cápsula no Lago Baikal, na Rússia, décadas após ter deixado Krypton.

📜 Linha do Tempo da Supergirl

1959

Estreia em Action Comics #252, criada por Otto Binder e Al Plastino. Kara Zor-El é apresentada como prima de Superman, originária de Argo City.

1985

Morte de Kara em Crisis on Infinite Earths #7. O sacrifício da personagem torna-se um marco da cultura pop dos quadrinhos.

2004

Retorno da Kara Zor-El original em Superman/Batman por Jeph Loeb, trazendo a personagem de volta ao núcleo do universo DC.

2011

O reboot dos Novos 52 apresenta uma Supergirl mais jovem, lidando com a perda de Krypton e sua adaptação à Terra.

2016

O Renascimento (Rebirth) reposiciona a personagem com elementos clássicos e influência da série televisiva.

2021–2022

Supergirl: Woman of Tomorrow, de Tom King, redefine a personagem com uma abordagem mais madura e espacial.

Supergirl: Mulher Do Amanhã — a HQ que inspirou o filme


Milly Alcock como Supergirl lendo a HQ Woman of Tomorrow, primeira imagem oficial do filme Supergirl de 2026 do DCU
Milly Alcock como Supergirl na primeira imagem oficial do filme de 2026, lendo a HQ Supergirl: Mulher Do Amanhã que inspira a produção do DCU.

Publicada entre 2021 e 2022,  Supergirl: Mulher Do Amanhã (Supergirl: Woman of Tomorrow) é uma minissérie de oito edições roteirizada por Tom King e ilustrada por Bilquis Evely, com cores de Mat Lopes. A obra reconceitualizou Kara Zor-El como uma figura moralmente complexa: marcada pela dor da perda de Krypton e relutante em desempenhar o papel de heroína que o universo parece esperar dela.

A história começa com Kara celebrando seu 23.º aniversário sozinha, bebendo em um planeta de sol vermelho, quando uma jovem chamada Ruthye Marye Knoll a aborda em busca de ajuda. O pai de Ruthye foi assassinado por um mercenário chamado Krem de Yellow Hills, e ela quer vingança. Supergirl, inicialmente relutante, acaba embarcando nessa jornada pela galáxia em busca de justiça.


Capa da HQ Supergirl Mulher do Amanhã (2021), com Kara Zor-El em traje clássico no espaço
Supergirl: Mulher do Amanhã (2021) — HQ que inspira o filme do DCU.

📖 Sinopse — Supergirl: Mulher do Amanhã

Kara Zor-El, a Supergirl, já viveu inúmeras aventuras épicas ao longo dos anos. No entanto, a heroína enfrenta agora uma crise de identidade, questionando seu papel no mundo.

Após testemunhar a destruição de Krypton, Kara foi enviada à Terra com a missão de proteger seu primo bebê, Kal-El. Mas, ao chegar, descobre que ele não precisa mais dela — e passa a ser vista apenas como “a prima do Superman”.

Tudo muda quando cruza o caminho de uma jovem alienígena em busca de vingança pela morte de seu pai. Determinada a ajudá-la, Supergirl embarca em uma jornada inesperada que colocará suas convicções à prova.

Juntas, uma kryptoniana e uma garota consumida pela dor percorrem uma aventura cósmica no estilo espada e feitiçaria, em uma jornada que promete transformar suas vidas para sempre.

A minissérie foi aclamada pela crítica especializada como uma das melhores histórias modernas da personagem, justamente por recusar a versão idealizada e imaculada de Supergirl. King e Evely construíram uma heroína com falhas reais, raiva justificada e um senso de justiça que não depende de aprovação. É esse tom que James Gunn escolheu para o cinema.

Supergirl no cinema e na televisão


Evolução da Supergirl no cinema e na televisão com Helen Slater, Melissa Benoist, Sasha Calle e Milly Alcock em diferentes versões da personagem
Diferentes versões da Supergirl no cinema e na televisão, incluindo Helen Slater (1984), Melissa Benoist (série do CW), Sasha Calle (The Flash) e a nova interpretação no DCU.

Supergirl (1984)

A primeira aparição de Supergirl em live-action em longa-metragem aconteceu em 1984, com Helen Slater no papel principal. Produzido por Alexander Salkind — os mesmos produtores dos filmes do “Superman” com Christopher Reeve —, o longa foi um fracasso comercial significativo e não agradou à crítica.

Apesar das limitações do filme, Slater é lembrada com carinho pelos fãs e teve uma participação nostálgica na série televisiva do CW décadas depois.

A série do CW (2015–2021)

A versão televisiva mais longa e popular foi a série Supergirl, exibida pelo CW entre 2015 e 2021, com Melissa Benoist no papel principal. Ao longo de seis temporadas, a produção integrou o Arrowverse.

A série construiu uma representação mais otimista e acessível da personagem, com identidade civil como jornalista e foco em temas como imigração e preconceito. James Gunn deixou claro que queria distância deliberada dessa abordagem para o filme de 2026.

The Flash (2023)

Na continuidade anterior do Universo DC Estendido (DCEU), uma versão de Supergirl foi apresentada no filme The Flash (2023), interpretada por Sasha Calle.

Essa Kara era procedente de uma linha temporal alternativa e teve presença limitada na trama. Com a reestruturação promovida por Gunn e Safran à frente do DC Studios, essa continuidade foi descontinuada.

Supergirl (2026)

Anunciado em janeiro de 2023 como parte do Capítulo Um do DCU, Supergirl (2026) será o segundo longa-metragem do novo universo, vindo após Superman (2025), dirigido por James Gunn.

Supergirl: Tudo que sabemos sobre o filme

A atriz Milly Alcock interpreta Kara Zor-El e já apareceu brevemente ao final de Superman, além de um gag no início da segunda temporada de Peacemaker, marcando sua introdução oficial no novo universo compartilhado.

A Supergirl é muito mais do que uma “versão feminina do Superman”. Sua história é marcada por perdas, reconstrução de identidade e busca por pertencimento — elementos que a tornam uma das personagens mais humanas e fascinantes da DC.

Com novas adaptações a caminho, a heroína se consolida como peça-chave no futuro da editora, pronta para conquistar uma nova geração de fãs.

Perguntas frequentes sobre Supergirl

Supergirl é mais forte que o Superman?

Em diversas versões dos quadrinhos, sim. Como Kara passou a adolescência em Krypton e chegou à Terra com capacidade de absorção solar já desenvolvida — ao contrário de Clark, que cresceu gradualmente sob luz amarela —, algumas histórias a retratam como ligeiramente superior em força bruta. Isso, no entanto, varia conforme o roteirista e a era dos quadrinhos.

Qual a diferença entre Supergirl e Power Girl?

Power Girl (Kara Zor-L) é a versão de Supergirl procedente da Terra-2, uma Terra alternativa. Embora ambas compartilhem a mesma base — Kara Zor-El de Krypton —, Power Girl desenvolveu identidade própria, com personalidade mais assertiva e visual distinto. No contexto do DCU de James Gunn, as duas são personagens separadas.

O filme Supergirl de 2026 tem classificação etária?

A classificação oficial para o Brasil ainda não foi divulgada pela distribuidora Warner Bros. Dado o tom mais sombrio da história — com violência, temas de luto e vingança —, especula-se que não será uma produção com classificação livre, mas o DJCTQ ainda não emitiu nota oficial.

Superman aparece no filme Supergirl?

David Corenswet, que interpreta Clark Kent/Superman no DCU, realizou cenas com Milly Alcock durante as filmagens — e Alcock confirmou que seu primeiro dia de set foi ao lado do ator. Não foi confirmado oficialmente se a aparição estará no corte final do filme ou se ficará restrita ao período de produção.

Felipe Bastos

Felipe Bastos da Silva é jornalista e crítico de cinema brasileiro, fundador e editor do site Cinema & Afins. Atua na cobertura de cinema, séries, games e cultura pop desde 2007, com foco em análises aprofundadas, críticas jornalísticas e reportagens especiais.Ao longo de sua carreira, consolidou o Cinema & Afins como uma das referências brasileiras em jornalismo de entretenimento, oferecendo conteúdo confiável, detalhado e com curadoria profissional. Felipe também produz listas, coberturas de estreias e artigos analíticos sobre a indústria audiovisual.
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