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O elenco de “Pânico” 30 anos depois

“Qual é o seu filme de terror favorito?”

A frase dita pelo serial killer Ghostface antes de cada ligação macabra completa 30 anos em 2026 — e continua capaz de provocar aquele frio familiar na espinha. Lançado em dezembro de 1996, Pânico ressuscitou o gênero slasher em um período no qual o terror adolescente parecia esgotado em Hollywood.




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Dirigido por Wes Craven e escrito pelo então estreante Kevin Williamson, o filme reinventou as regras do horror ao transformar os clichês do próprio gênero em parte central da narrativa. Violento, irônico e autoconsciente, Pânico não apenas revitalizou o cinema slasher, como também abriu caminho para uma nova geração de produções adolescentes de terror no fim dos anos 1990.

O impacto cultural foi imediato. A mistura entre suspense, humor ácido e comentários metalinguísticos transformou Ghostface em um dos vilões mais reconhecíveis da cultura pop contemporânea, enquanto o elenco jovem rapidamente se tornou referência para toda uma geração de espectadores.

Elenco principal de Pânico (1996) reunido em ensaio promocional com Drew Barrymore, Neve Campbell, Skeet Ulrich, Rose McGowan, Courteney Cox e David Arquette.
Os astros de Pânico posam em ensaio promocional do clássico slasher dirigido por Wes Craven em 1996.

Trinta anos depois, o elenco de Pânico prova que a franquia deixou marcas profundas — e duradouras — nas carreiras que ajudou a lançar ou redefinir. Alguns integrantes se transformaram em ícones mundiais da televisão e do cinema. Outros encontraram seus trabalhos mais celebrados décadas depois. Todos, porém, continuam ligados de alguma maneira à máscara branca do assassino que redefiniu o terror moderno.

Confira o que aconteceu com os principais nomes de Pânico três décadas após o lançamento do clássico:

Drew Barrymore

Casey Becker

Comparação de Drew Barrymore em Pânico (1996) e em evento anos depois, destacando a transformação da atriz ao longo da carreira.

No Filme: A cena de abertura de Pânico é hoje considerada uma das mais ousadas da história do terror moderno. Casey Becker, a adolescente que atende ao telefone enquanto prepara pipoca antes de ser brutalmente assassinada nos minutos iniciais, foi interpretada por Drew Barrymore — à época, o nome mais reconhecido do elenco, aos 21 anos e já com uma trajetória consolidada em Hollywood. A decisão de Wes Craven de eliminar a atriz mais famosa do filme logo na abertura foi um movimento calculado: ao romper a expectativa de que Barrymore sobreviveria até o desfecho, o diretor instaurou no público uma sensação genuína de vulnerabilidade. Em Pânico, ninguém estava realmente seguro.

Antes de estrelar o clássico de Wes Craven, Drew Barrymore já acumulava uma carreira singular para alguém tão jovem. Revelada mundialmente aos sete anos em E.T. — O Extraterrestre (1982), dirigido por Steven Spielberg, a atriz enfrentou anos turbulentos marcados pela dependência química e pela intensa exposição da imprensa sensacionalista.

Sua retomada profissional começou no início dos anos 1990, com atuações em produções de apelo cult, como Relação Indecente (1992) e Garotas Más (1994). A transição para projetos de maior alcance comercial veio em seguida, com filmes como Somente Elas (1995), Batman Forever (1995) e Todo Mundo Diz Eu Te Amo (1996), dirigido por Woody Allen.

Depois de Pânico, Drew Barrymore encontrou nas comédias românticas o período mais estável e lucrativo de sua carreira. Afinado no Amor (1998), ao lado de Adam Sandler, deu início a uma parceria que renderia outros sucessos, incluindo Como se Fosse a Primeira Vez (2004).

Nunca Fui Beijada (1999), no qual também atuou como produtora, e os dois filmes da franquia As Panteras consolidaram sua posição como estrela de bilheteria e empresária. Em 1995, a atriz cofundou a produtora Flower Films, responsável por diversos projetos de sua carreira.

Em 2009, Barrymore estreou na direção com A Garota Fantástica, drama estrelado por Elliot Page e recebido de forma positiva pela crítica. No mesmo ano, conquistou o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Minissérie por sua atuação em Grey Gardens: Do Luxo à Decadência, da HBO.

Nos anos seguintes, Drew Barrymore passou a concentrar parte de sua atuação nos bastidores da indústria. A série Santa Clarita Diet (2017–2019), da Netflix, marcou seu retorno de destaque à televisão, interpretando uma corretora de imóveis que se transforma em zumbi.

Desde 2020, a atriz apresenta o The Drew Barrymore Show, programa distribuído pela CBS e renovado para sua sexta temporada, mantendo Barrymore entre os rostos mais populares da televisão norte-americana. Em 2025, ela também passou a integrar o revival de Hollywood Squares como coprodutora executiva e participante fixa.

Neve Campbell

Sidney Prescott

Neve Campbell em Pânico (1996) e em evento recente, mostrando a evolução da atriz que interpretou Sidney Prescott.

No filme: Se Drew Barrymore era o grande nome de Pânico, Sidney Prescott tornou-se o verdadeiro coração da franquia. Protagonista da série de filmes criada por Wes Craven, a personagem é apresentada como uma adolescente marcada pelo trauma do assassinato da mãe, mas que se recusa a ocupar apenas o papel de vítima. Interpretada pela atriz canadense Neve Campbell, Sidney rapidamente se consolidou como um dos maiores símbolos do subgênero slasher — não pela fragilidade, mas pela capacidade de resistir e sobreviver. Mais do que enfrentar Ghostface, a personagem redefiniu o conceito de “final girl” e se transformou em referência cultural dentro do cinema de terror.

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Antes de estrelar Pânico, Neve Campbell já era um rosto conhecido da televisão norte-americana. Natural de Guelph, em Ontario, no Canadá, a atriz iniciou sua trajetória artística na dança clássica, com passagem pelo National Ballet of Canada, antes de migrar para a atuação em busca de oportunidades nos Estados Unidos.

O reconhecimento veio com o papel de Julia Salinger na série dramática O Quinteto (Party of Five, 1994–2000), produção da Fox que acompanhava cinco irmãos órfãos tentando reconstruir a vida após a morte dos pais. O sucesso da série garantiu a Campbell notoriedade e uma base sólida de fãs antes mesmo de sua estreia definitiva no cinema.

No mesmo ano de Pânico, a atriz estrelou Jovens Bruxas (The Craft, 1996), terror adolescente que ajudou a consolidar sua imagem como um dos principais rostos do gênero nos anos 1990. Em 1998, contracenou com Kevin Bacon e Matt Dillon em Garotas Selvagens (Wild Things), suspense erótico que desafiou a percepção do público sobre sua carreira e ampliou sua versatilidade em Hollywood.

Ainda em 1998, Neve Campbell emprestou a voz à personagem Kiara em O Rei Leão II: O Reino de Simba, demonstrando alcance para além dos thrillers e filmes de horror. Ao longo dos anos 2000, a atriz alternou trabalhos no cinema e na televisão, participando de séries como Grey’s Anatomy e Mad Men, além do drama The Company (2003), ambientado no universo do balé e desenvolvido parcialmente pela própria atriz — retomando, assim, suas origens na dança clássica.

Na televisão, Campbell voltou a ganhar destaque com sua participação nas temporadas quatro e cinco de House of Cards (Netflix, 2016–2017), interpretando a estrategista política Leann Harvey. Pouco depois, integrou o elenco de Arranha-Céu: Coragem Sem Limite (2018), thriller de ação estrelado por Dwayne Johnson.

Nos anos mais recentes, a atriz fortaleceu sua presença no streaming. Desde 2022, Neve Campbell integra o elenco principal da série O Advogado do Lincoln (The Lincoln Lawyer, Netflix), no papel da promotora Maggie McPherson. A produção tornou-se um dos títulos de maior audiência da plataforma e, em 2026, já acumula quatro temporadas lançadas.

Em 2023, Campbell também participou da adaptação televisiva de Twisted Metal, produzida pelo Peacock. O momento mais simbólico de sua trajetória recente, porém, foi o retorno à franquia que definiu sua carreira. Após recusar participar de Pânico 6 (2023) em razão de uma disputa salarial — episódio que gerou amplo debate sobre a valorização de veteranos em Hollywood —, a atriz anunciou, em março de 2024, seu retorno como Sidney Prescott em Pânico 7. Lançado em fevereiro de 2026, o filme registrou o maior fim de semana de estreia da história da franquia, enquanto Campbell recebeu um cachê estimado em US$ 7 milhões.

Rose McGowan

Tatum Riley
Rose McGowan - Pânico

No Filme: Rose McGowan interpretou Tatum Riley, a melhor amiga de Sidney Prescott e uma das personagens mais carismáticas de Pânico. Responsável por boa parte do alívio cômico do filme, Tatum protagoniza também uma das mortes mais memoráveis da franquia: presa em uma porta de garagem automática durante o ataque do Ghostface, numa sequência que combina suspense, ironia e absurdo de maneira característica ao estilo de Wes Craven. A atuação de McGowan adiciona leveza e irreverência à personagem, tornando seu destino ainda mais impactante.

Antes de Pânico, Rose McGowan já chamava atenção no circuito independente norte-americano. Nascida na Itália e criada em circunstâncias pouco convencionais — filha de pais ligados à seita religiosa “Children of God” —, a atriz estreou em Hollywood ainda adolescente, com uma pequena participação em O Homem da Califórnia (Encino Man, 1992).

O reconhecimento da crítica veio com Geração Maldita (The Doom Generation, 1995), comédia negra dirigida por Gregg Araki que se tornou cult no cinema alternativo dos anos 1990. Pelo desempenho no longa, McGowan recebeu uma indicação de Revelação no Independent Spirit Awards de 1996, feito raro para uma atriz jovem e ainda distante do circuito comercial de Hollywood.

Após o sucesso de Pânico, a atriz ampliou sua presença no cinema com títulos como Indo Até o Fim (1997) e o teen noir Jawbreaker (1999), no qual interpretou uma estudante popular e manipuladora envolvida em um encobrimento criminoso após a morte acidental de uma colega.

Foi na televisão, porém, que Rose McGowan encontrou sua maior projeção popular. Entre 2001 e 2006, integrou o elenco principal da série sobrenatural Charmed (Jovens Bruxas, The WB), interpretando a feiticeira Paige Matthews durante cinco temporadas. O papel consolidou a atriz como um dos rostos mais reconhecíveis da televisão norte-americana nos anos 2000 e ampliou significativamente sua base de fãs.

Em 2007, McGowan estrelou Planet Terror, segmento do projeto Grindhouse, parceria entre Robert Rodriguez e Quentin Tarantino em homenagem ao cinema exploitation dos anos 1970. Sua performance no longa lhe rendeu indicações ao Saturn Award e ao Scream Award. Poucos anos depois, participou de Conan, o Bárbaro (2011), ao lado de Jason Momoa, antes de reduzir gradualmente sua presença em produções de ficção.

A partir de 2017, Rose McGowan passou a ocupar um papel central fora das telas ao se tornar uma das primeiras figuras públicas de Hollywood a denunciar Harvey Weinstein por abuso sexual. Sua atuação foi considerada decisiva para o fortalecimento do movimento MeToo e lhe garantiu reconhecimento internacional. Naquele mesmo ano, a revista Time incluiu McGowan entre as “Silence Breakers”, escolhidas como Personalidade do Ano.

Em 2018, a atriz lançou a autobiografia Brave e estrelou a minissérie documental Citizen Rose, abordando sua trajetória pessoal e os bastidores da indústria cinematográfica. Nos anos seguintes, afastou-se progressivamente de Hollywood, chegando a viver no México durante parte desse período, enquanto reduzia sua participação em produções audiovisuais a aparições esporádicas em podcasts, convenções e eventos ligados à cultura pop. Em 2025, participou do podcast The House of Halliwell, dedicado ao legado de Charmed.

Skeet Ulrich

Billy Loomis
Pânico - Skeet Ulrich

No Filme: A revelação de que Billy Loomis é o Ghostface representa o grande golpe narrativo de Pânico. O namorado de Sidney Prescott — aparentemente o porto seguro emocional da protagonista — revela-se o assassino por trás da máscara, subvertendo uma das convenções mais tradicionais do terror adolescente. Interpretado por Skeet Ulrich, Billy combina charme juvenil e uma inquietante frieza emocional, ambiguidade que transformou o personagem em um dos vilões mais marcantes do cinema slasher dos anos 1990.

Nascido Bryan Ray Trout, o ator adotou o apelido de infância como nome artístico e encontrou em Pânico o papel que consolidaria sua imagem em Hollywood: o jovem bonito de aparência vulnerável, mas de olhar vazio e comportamento imprevisível — um arquétipo explorado com frequência pelo cinema da década.

Antes do sucesso no filme de Wes Craven, Ulrich acumulava experiências discretas, porém relevantes, na indústria. Suas primeiras aparições ocorreram em pequenos papéis sem créditos, incluindo participações em Um Morto Muito Louco (Weekend at Bernie’s, 1989) e As Tartarugas Ninja (Teenage Mutant Ninja Turtles, 1990).

A formação no Atlantic Theater Company, tradicional escola de atuação ligada ao dramaturgo David Mamet, foi determinante para sua carreira. Durante esse período, Ulrich chamou atenção da diretora Stacy Cochran, que o escalou para Boys (1996), ao lado de Winona Ryder. No mesmo ano, integrou o elenco de Jovens Bruxas (The Craft, 1996), interpretando o agressivo Chris Hooker e dividindo cena com Neve Campbell meses antes do lançamento de Pânico.

Após o impacto do terror de Wes Craven, Skeet Ulrich trabalhou ao lado de Jack Nicholson em Melhor É Impossível (As Good as It Gets, 1997) e protagonizou o drama criminal Os Irmãos Newton (The Newton Boys, 1998).

Na televisão, o ator construiu uma trajetória consistente em séries dramáticas. Ganhou reconhecimento cult com Miracles (ABC, 2003), na qual interpretava um investigador de fenômenos sobrenaturais, e encontrou seu maior protagonismo televisivo em Jericho (CBS, 2006–2008). Na produção pós-apocalíptica, Ulrich viveu Jake Green, morador de uma pequena cidade norte-americana que tenta sobreviver após ataques nucleares nos Estados Unidos.

O cancelamento precoce de Jericho gerou uma mobilização rara do público, que pressionou a CBS pelo retorno da série — campanha que resultou na renovação temporária da produção e entrou para a história da televisão norte-americana como um dos primeiros grandes movimentos organizados de fãs na internet.

Além de Jericho, Ulrich participou de séries como CSI: NY, Law & Order: LA e da minissérie Into the West (TNT, 2005). A retomada mais expressiva de sua carreira, no entanto, veio em 2017, quando assumiu o papel de FP Jones em Riverdale, adaptação televisiva dos quadrinhos da Archie Comics produzida pela The CW. Interpretando o pai de Jughead Jones, o ator permaneceu no elenco por quatro temporadas, deixando a série em 2021 por razões criativas.

O retorno mais simbólico de sua trajetória recente aconteceu justamente na franquia que o tornou conhecido mundialmente. Skeet Ulrich reprisou Billy Loomis em Pânico (2022) e em Pânico VI (2023), reintroduzindo o assassino original para uma nova geração de espectadores. Em 2025, voltou a dividir as telas com Matthew Lillard, seu parceiro no primeiro Pânico, em Five Nights at Freddy’s 2.

Matthew Lillard

Stu Macher

Pânico - Matthew Lillard

No Filme: Stu Macher é o cúmplice perfeito do caos em Pânico: impulsivo, exagerado e sempre à beira de um colapso nervoso. Melhor amigo de Billy Loomis e um dos responsáveis pela onda de assassinatos comandada pelo Ghostface, o personagem ganhou vida através da performance intensa de Matthew Lillard, que transformou Stu em uma figura simultaneamente cômica e perturbadora. A atuação carregada, quase caricatural de propósito, tornou-se um dos elementos mais lembrados do filme e ajudou a definir o tom metalinguístico da franquia criada por Wes Craven.

Antes de Pânico, Matthew Lillard já demonstrava talento para interpretar personagens excêntricos e outsiders sociais. Sua estreia de destaque aconteceu em Mamãe é de Morte (Serial Mom, 1994), sátira de humor negro dirigida por John Waters. Pouco depois, chamou atenção como o hacker “Cereal Killer” em Hackers — Piratas de Computador (Hackers, 1995), ao lado de Angelina Jolie. Embora tenha dividido opiniões no lançamento, o longa acabou se tornando cult e ajudou a consolidar a estética cyberpunk dos anos 1990.

O sucesso de Pânico abriu caminho para papéis de maior visibilidade. Lillard estrelou o cult juvenil SLC Punk! (1998), interpretando um jovem rebelde da cena punk norte-americana, e participou da comédia romântica Ela É Demais (She’s All That, 1999). Em seguida, integrou o elenco do terror sobrenatural Treze Fantasmas (Thirteen Ghosts, 2001), reforçando sua associação com produções de gênero.

O grande ponto de virada popular de sua carreira, porém, veio em 2002, quando assumiu o papel de Salsicha Rogers na adaptação live-action de Scooby-Doo. Com forte entrega física e timing cômico preciso, Lillard conseguiu reproduzir a essência do personagem clássico dos desenhos animados, conquistando o público e a crítica especializada em cultura pop.

A sequência Scooby-Doo 2: Monstros à Solta (2004) consolidou sua ligação com a franquia. Em 2009, após a aposentadoria de Casey Kasem — voz original de Salsicha desde 1969 —, Matthew Lillard foi escolhido como sucessor oficial do personagem nas animações. Desde então, passou a dublar Salsicha em séries como Scooby-Doo! Mystery Incorporated e Be Cool, Scooby-Doo!, além de praticamente todos os filmes animados lançados diretamente em vídeo a partir de 2010.

Ao longo da década de 2010, o ator começou a ampliar seu repertório dramático. Trabalhou ao lado de George Clooney em Os Descendentes (The Descendants, 2011), integrou o elenco de Twin Peaks: O Retorno (2017) e participou da série Good Girls (NBC, 2018–2021), onde viveu Dean Boland durante as quatro temporadas da produção. O momento mais surpreendente de sua trajetória recente aconteceu em 2023, quando foi escalado para interpretar William Afton em Five Nights at Freddy’s, adaptação cinematográfica da popular franquia de games de terror. A recepção positiva ao personagem foi tão intensa que veículos como o The Hollywood Reporter descreveram o período como o “renascimento” da carreira de Lillard.

O impacto se refletiu rapidamente em novos projetos. O ator retornou para Five Nights at Freddy’s 2 (2025), participou do drama fantástico A Vida de Chuck (2024), dirigido por Mike Flanagan, e passou a integrar o Universo Cinematográfico da Marvel em Demolidor: Renascido (Daredevil: Born Again, 2026), série do Disney+.

O fechamento simbólico desse ciclo aconteceu também em 2026, quando Matthew Lillard retornou à franquia Pânico para reprisar Stu Macher em Pânico 7, mais de três décadas após o lançamento do filme original. O retorno do personagem foi tratado como uma das maiores surpresas da produção e mobilizou fãs históricos da franquia slasher.

Jamie Kennedy

Randy Meeks

Pânico - Jamie Kennedy

No Filme: Randy Meeks funciona como a consciência cinéfila de Pânico — e, em muitos aspectos, do próprio filme. É o personagem que verbaliza as “regras” dos slashers, que interpreta os assassinatos ao seu redor como se estivesse analisando um roteiro e que guia o público pelo jogo metalinguístico criado por Wes Craven e Kevin Williamson. Interpretado por Jamie Kennedy, Randy ganhou o público graças à combinação de humor ácido, energia nerd e um timing cômico preciso, tornando-se um dos personagens mais queridos da franquia.

A popularidade foi tanta que Randy retornou em Pânico 2 (1997) e ainda teve uma despedida simbólica em Pânico 3 (2000), por meio de uma gravação em vídeo deixada antes de sua morte — sequência que reforçou a importância do personagem para a mitologia da série.

Antes de Pânico, Jamie Kennedy acumulava pequenas participações em produções importantes. Ainda adolescente, apareceu como figurante sem créditos em Sociedade dos Poetas Mortos (Dead Poets Society, 1989). Poucos anos depois, participou de Romeu + Julieta (1996), adaptação estilizada de Baz Luhrmann estrelada por Leonardo DiCaprio e Claire Danes.

No mesmo período, integrou o elenco de produções de prestígio como Melhor É Impossível (As Good as It Gets, 1997), ao lado de Jack Nicholson e Helen Hunt, e o drama de guerra Três Reis (Three Kings, 1999), dirigido por David O. Russell e estrelado por George Clooney. As participações demonstravam que Kennedy circulava em projetos relevantes de Hollywood mesmo antes de alcançar fama popular.

O salto para o estrelato veio por um caminho inesperado. Em 2002, o ator lançou o programa de pegadinhas The Jamie Kennedy Experiment, exibido pela WB e posteriormente pela UPN. Misturando humor improvisado e personagens caricatos, a atração se tornou um sucesso de audiência e consolidou Kennedy como um comediante de forte apelo popular nos Estados Unidos.

No mesmo período, estrelou a comédia Sequestro em Malibu  (2003) e participou do live-action de Scooby-Doo (2002), em uma pequena aparição. Sua maior aposta no cinema comercial aconteceu em O Filho da Máscara (Son of the Mask, 2005), sequência do sucesso estrelado por Jim Carrey. Apesar da recepção negativa da crítica e do desempenho abaixo do esperado, o projeto evidenciou a tentativa de Kennedy de expandir sua carreira para além do nicho do terror e da comédia televisiva.

Na televisão, o ator encontrou estabilidade em Ghost Whisperer (CBS, 2005–2010), série sobrenatural estrelada por Jennifer Love Hewitt. Kennedy interpretou Eli James, professor universitário que passa a ouvir espíritos após uma experiência traumática. O personagem permaneceu na série durante cinco temporadas e se tornou uma das figuras centrais da fase final da produção.

Desde então, Jamie Kennedy alterna trabalhos em produções independentes, especiais de stand-up comedy e participações ocasionais em franquias ligadas à cultura pop. Em 2022, fez uma breve participação não creditada em Pânico, reacendendo o vínculo com a saga que marcou sua carreira. Seu trabalho mais recente no cinema é a comédia Don’t Suck (2025).

Courteney Cox

Gale Weathers
Pânico - Courteney Cox

No Filme: Gale Weathers é uma das figuras mais ambíguas e fascinantes de Pânico. Ambiciosa, sarcástica e determinada a transformar o massacre de Woodsboro em material para um best-seller, a repórter interpretada por Courteney Cox atua como um contraponto moral dentro da narrativa: não é exatamente heroína, mas tampouco pode ser tratada como vilã. Gale persegue a verdade movida tanto pelo instinto jornalístico quanto pela busca por notoriedade — característica que a torna uma personagem constantemente imprevisível e essencial para a dinâmica da franquia.

Courteney Cox imprime à personagem um charme cortante e uma firmeza emocional que mantêm Gale interessante mesmo quando o roteiro a posiciona como antagonista circunstancial de Sidney Prescott. Ao longo da série, a jornalista deixa de ser apenas observadora para se tornar parte ativa da sobrevivência contra Ghostface, consolidando-se como uma das personagens mais duradouras do terror moderno.

Antes de Pânico, Cox já possuía uma carreira sólida na televisão e no cinema. Sua trajetória começou nos anos 1980, com participações em comerciais e séries televisivas, mas um de seus primeiros momentos de grande repercussão veio em 1984, no videoclipe de Dancing in the Dark, de Bruce Springsteen. Na produção, a atriz foi “tirada” da plateia pelo cantor para dançar no palco — cena que se tornou icônica na cultura pop muito antes da era viral da internet.

Em 1987, Courteney Cox integrou o elenco de He-Man — Os Mestres do Universo (Masters of the Universe), adaptação cinematográfica estrelada por Dolph Lundgren. O grande salto de sua carreira, porém, aconteceu em 1994, quando participou simultaneamente de dois projetos decisivos.

No cinema, atuou ao lado de Jim Carrey em Ace Ventura — Um Detetive Diferente (Ace Ventura: Pet Detective). Na televisão, estreou como Monica Geller em Friends (NBC, 1994–2004), sitcom que se tornaria um dos maiores fenômenos da história da TV norte-americana. Durante dez temporadas, Cox interpretou a chef competitiva e obsessivamente organizada do grupo de amigos, papel que lhe garantiu reconhecimento internacional e uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Série de Comédia.

Após o sucesso de Pânico, Courteney Cox manteve Gale Weathers como eixo central de toda a franquia, retornando em Pânico 2 (1997), Pânico 3 (2000) e Pânico 4 (2011). Paralelamente, buscou consolidar uma carreira além da imagem de Monica Geller.

Na televisão, encontrou novo protagonismo com Cougar Town (ABC/TBS, 2009–2015), série de comédia na qual interpretou Jules Cobb ao longo de 102 episódios. Além de estrelar a produção, Cox também atuou como produtora executiva, reforçando sua presença nos bastidores da indústria televisiva.

Em 2022 e 2023, a atriz retornou mais uma vez à franquia de terror em Pânico (2022) e Pânico VI (2023), desta vez também exercendo funções como produtora executiva e participando das decisões criativas da saga. No mesmo período, protagonizou Shining Vale (Starz, 2022–2023), série que misturava terror psicológico e comédia ao lado de Greg Kinnear. Na produção, interpretou uma escritora em crise vivendo em uma casa supostamente assombrada.

Em 2023, Courteney Cox recebeu sua estrela na Calçada da Fama de Hollywood ao lado dos colegas de elenco de Friends, celebrando o impacto cultural duradouro da série. Seu capítulo mais recente no cinema veio com Pânico 7 (2026), no qual retorna mais uma vez como Gale Weathers, consolidando a personagem como uma das figuras mais longevas e emblemáticas da história do terror norte-americano.

David Arquette

Dewey Riley

Pânico - David Arquette

No Filme: Dewey Riley sempre funcionou como o coração ingênuo de Pânico. O jovem policial de Woodsboro, leal, atrapalhado e genuinamente preocupado com a segurança de Sidney Prescott, atua como contraponto emocional dentro de uma narrativa marcada por cinismo, violência e ironia metalinguística. Enquanto Gale Weathers busca a grande reportagem e Sidney luta para sobreviver, Dewey simplesmente tenta proteger as pessoas que ama.

Interpretado por David Arquette, o personagem conquistou o público graças à combinação de humor involuntário, vulnerabilidade e sinceridade emocional. Essa conexão construída ao longo de décadas explica por que sua morte em Pânico (2022) foi recebida como um dos momentos mais impactantes e dolorosos do relançamento da franquia.

David Arquette chegou a Pânico já carregando um sobrenome importante em Hollywood. Integrante da tradicional família Arquette, ele é irmão das atrizes Rosanna Arquette e Patricia Arquette, ambas figuras reconhecidas do cinema norte-americano. Sua carreira começou ainda no início dos anos 1990, com participações em séries como The Outsiders (Fox, 1990) e Parenthood (NBC, 1990–1991).

No cinema, Arquette chamou atenção no circuito independente com o drama Johns (1996), exibido no Festival de Sundance poucos meses antes do lançamento de Pânico. O sucesso do terror de Wes Craven ampliou sua visibilidade e abriu espaço para uma sequência de trabalhos no cinema de gênero e em comédias populares.

Entre os títulos mais conhecidos de sua filmografia estão o terror cult Ravenous (1999), a comédia romântica Nunca Fui Beijada (1999), ao lado de Drew Barrymore, a aventura familiar Spot, um Cão da Pesada (2001) e o terror cômico Oito Patas e um Perigo (Eight Legged Freaks, 2002), no qual enfrentava aranhas gigantes em uma pequena cidade norte-americana.

Um dos episódios mais inusitados de sua trajetória aconteceu em 2000, quando David Arquette venceu o Campeonato Mundial dos Pesos-Pesados da WCW, principal liga de wrestling dos Estados Unidos na época. A decisão gerou enorme controvérsia entre fãs do esporte e passou a ser considerada um dos momentos mais polêmicos da história do wrestling profissional.

Duas décadas depois, o ator revisitou essa experiência no documentário You Cannot Kill David Arquette (2020), produção que acompanhava sua tentativa de reconquistar credibilidade no circuito independente da luta livre após anos sendo alvo de críticas do público especializado.

Em 2006, Arquette estreou como diretor em The Tripper — lançado no Brasil como Perseguição Assassina. Misturando terror e humor negro, o filme acompanhava um assassino mascarado vestido como Ronald Reagan perseguindo jovens em um festival hippie. Além de dirigir, o ator também coescreveu o roteiro da produção. Ao longo da década de 2010, David Arquette passou a alternar trabalhos em produções independentes e filmes de gênero. Um dos destaques desse período foi Rastro de Maldade (2015), western de terror estrelado por Kurt Russell que conquistou status cult entre fãs do horror contemporâneo.

Nos anos mais recentes, participou de séries como Mrs. Davis (Peacock, 2023) e filmes como A Boa Metade  (2023) e Policiais da Máfia (2025). Em 2026, voltou à franquia que definiu sua carreira em Pânico 7, numa aparição que surpreendeu parte do público devido ao destino aparentemente definitivo de Dewey Riley no filme anterior.

Henry Winkler

Diretor Himbry
Pânico - Henry Winkler

No Filme: O diretor Arthur Himbry protagoniza uma das mortes mais teatrais de Pânico. Encontrado pendurado no mastro do campo de futebol da escola, o personagem transforma o massacre de Woodsboro em um espetáculo público — uma imagem que sintetiza o humor mórbido e o tom satírico do filme de Wes Craven. Interpretado por Henry Winkler, Himbry ganha uma presença simultaneamente autoritária e cômica, tornando-se memorável mesmo com poucos minutos em cena.

A escalação de Winkler carregava um valor simbólico importante para o público norte-americano dos anos 1990. Pânico adorava brincar com rostos conhecidos da cultura pop, e ver o eterno “Fonzie” sendo assassinado por Ghostface representava exatamente o tipo de ironia metalinguística que a franquia explorava com inteligência.

Quando participou de Pânico, Henry Winkler já era um veterano consolidado da televisão. Formado pela prestigiada Yale School of Drama, o ator se tornou um fenômeno cultural ao interpretar Arthur “Fonzie” Fonzarelli em Happy Days (ABC, 1974–1984). Vestido de jaqueta de couro e dono de uma confiança inabalável, Fonzie virou um dos personagens mais icônicos da história da TV americana, sendo posteriormente eleito pela revista TV Guide como o quarto maior personagem televisivo de todos os tempos.

O papel lhe rendeu dois Globos de Ouro e três indicações ao Emmy, mas também trouxe o peso da tipificação. Após o fim de Happy Days, Winkler redirecionou sua carreira com inteligência para os bastidores da indústria, trabalhando como produtor e diretor em diferentes projetos televisivos.

Entre os trabalhos que ajudou a desenvolver estão séries como MacGyver e So Weird. Na direção, comandou filmes como Recordações da Minha Vida (Memories of Me, 1988), estrelado por Billy Crystal, e Um Tira e Meio (Cop and a Half, 1993), com Burt Reynolds.

No cinema, Henry Winkler também desenvolveu uma parceria frequente com Adam Sandler, de quem se tornou amigo próximo. Participou de produções como O Rei da Água (1998) e de outros projetos ligados à Happy Madison, produtora do comediante.

A partir dos anos 2000, o ator encontrou uma segunda fase de grande prestígio como coadjuvante em séries televisivas. Interpretou o excêntrico advogado Barry Zuckerkorn em Arrested Development (2003–2019), participou de séries como The Simpsons, Parks and Recreation e Royal Pains, além de acumular dezenas de aparições em produções de comédia e drama.

O maior renascimento de sua carreira, no entanto, aconteceu com Barry (HBO, 2018–2023). Na série criada e estrelada por Bill Hader, Winkler interpretou Gene Cousineau, um professor de atuação narcisista, inseguro e emocionalmente autodestrutivo. O desempenho lhe rendeu o Emmy de Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia aos 72 anos, encerrando um intervalo de mais de quatro décadas sem prêmios individuais de atuação.

Além da vitória em 2018, Winkler voltou a ser indicado ao Emmy em 2019, 2022 e 2023, acumulando também indicações ao Globo de Ouro, ao SAG Awards e vitórias no Critics’ Choice Awards. Em 2023, lançou o livro de memórias Being Henry: The Fonz…and Beyond, que se tornou bestseller do New York Times.

Já em 2025, o ator foi introduzido ao Television Academy Hall of Fame e estreou como apresentador da série documental Hazardous History, exibida pelo History Channel. Com uma carreira que atravessa mais de cinco décadas entre atuação, produção e direção, Henry Winkler segue como uma das figuras mais respeitadas e reconhecíveis da televisão norte-americana.

Felipe Bastos

Felipe Bastos da Silva é jornalista e crítico de cinema brasileiro, fundador e editor do site Cinema & Afins. Atua na cobertura de cinema, séries, games e cultura pop desde 2007, com foco em análises aprofundadas, críticas jornalísticas e reportagens especiais.Ao longo de sua carreira, consolidou o Cinema & Afins como uma das referências brasileiras em jornalismo de entretenimento, oferecendo conteúdo confiável, detalhado e com curadoria profissional. Felipe também produz listas, coberturas de estreias e artigos analíticos sobre a indústria audiovisual.

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